segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Bye-bye Australia

Após vários dias com acesso limitado à internet, conseguimos
finalmente actualizar o blog. Aqui ficam algumas fotos da passagem de
ano em Sydney, bem como uma pequena conclusão da nossa passagem pela
Austrália.

Quando cá chegámos a primeira coisa que reparámos foi no custo de vida
elevado, especialmente porque vinhamos da Ásia onde a vida é
geralmente mais barata do que em Portugal. Nos supermercados todos os
produtos são caros, à excepção da carne de vaca. Um dos preços que
mais nos chocou foi o das bananas, que estavam a ser vendidas a 7
dólares o kilo, ou seja, mais ou menos 5 euros. É caso para dizer que
aqui a vida é cara como o potássio! Talvez seja por isso que não se
vêem macacos neste país... Mas mais tarde explicaram-nos que o preço
das bananas estava inflacionado devido a cheias que destruiram
plantações no norte do país. Também ficámos intrigados por não haver
carne de porco à venda, quase só em salsichas. É dificil fazer uma
feijoada, pois também não há enchidos.

Os produtos no supermercado são caros mas em alguns casos as
quantidades são maiores do que em Portugal. Aqui vendem-se embalagens
de 1 litro de iogurte, 4 litros de gelado, 2 kg de açúcar ou de
farinha. Os chocolates são grandes: as embalagens de Bounty contém 3
pedaços, as de Mars existem em tamanho normal (o nosso), médio ou
grande. Não admira que os australianos sejam "grandes". Ainda bem
gostam de praticar desporto...

Um dos factores que mais contribui para os preços elevados é o custo
da mão de obra. Na Austrália mesmo as profissões menos qualificadas
são bem pagas, o que faz com que grande parte dos australianos não
prossiga com estudos superiores. Contaram-nos sobre um caso de um
rapaz que neste momento tem duas alternativas de carreira. Pode seguir
uma profissão especializada, onde lhe pagam 20 dólares/hora e lhe dão
formação. Ou pode começar já amanhã a conduzir um camião por 60
dólares/hora. Isto abre a porta à entrada de trabalhadores
estrangeiros qualificados. A Austrália é uma economia em crescimento e
procura conhecimento específico, há uma lista de profissões em falta.
Na nossa opinião o facto de todos ganharem bem torna a sociedade mais
justa e equilibrada, pois mesmo que tudo seja caro o nível médio de
vida pareceu-nos ser superior ao dos outros países que conhecemos.

Talvez por não estarem constantemente preocupados com coisas básicas,
os australianos são descontraídos, por vezes até demais. Uma coisa que
sentimos foi a intensidade do Sol, não tanto o calor em si, mas sim o
Sol a queimar na pele. Os autralianos, que deveriam ter consciência
desse perigo, não parecem ligar muito aos efeitos nocivos. Não se vêem
guarda-sois na praia nem é normal ver-se pessoas a colocar protector
solar. Lemos em algum lado que 2/3 dos australianos vai sofrer algum
tipo de cancro de pele até aos 70 anos de idade. Só os aborigenes é
que parecem estar preparados para este Sol! Os euro-australianos que
sobreviverem ao Sol, deverão ter problemas cardio-vasculares devido à
quantidade de carnes vermelhas que comem. Os que se safarem, deverão
ter problemas com o gluten. O gluten aqui é uma paranóia! Quase tudo é
"gluten-free" e o que não é está assinalado com letras garrafais.

Algo que os australianos gostam de fazer é usar abreviaturas. Algumas
parecem ser carinhosas, por exemplo, usam "hubby" em vez de "husband"
ou "Christie" em vez de "Christmas". Outras até são úteis, como
"Wooly's" em vez de "Woolworth's" (uma das cadeias de supermercados cá
do sítio). Mas outras parecem ser parvas: "bub" em vez de "baby"!?

Toda a gente sabe que Portugal é um país, mas ficam espantados quando
lhes dizemos que falamos Português, pois é comum perguntarem-nos
"hablan español?". Esta admiração estende-se ao Brasil, pois também
pensam que lá se fala espanhol...

Em resumo, a Austrália conta com bastantes pontos positivos: tem um
bom nível de vida geral, as pessoas são descontraídas, preza-se a vida
familiar, apreciam-se as actividades ao ar livre, etc. Mas há um ou
outro ponto negativo: o Sol é letal, está-se muito longe de Portugal,
e não se conseguem arranjar facilmente os "nossos" ingredientes. Para
se cozinhar bacalhau com broa, o bacalhau tem de comprado em Sydney.
Mas a broa tem de ser feita em casa, pois não se vê à venda. Já
sugerimos aos nossos amigos de Canberra para criarem um porco no
quintal, pois assim seria bem mais fácil fazerem feijoada!

Para finalizar, queremos agradecer aos amigos de Canberra a
hospitalidade e os mimos. A nossa estadia teria sido diferente sem
eles, especialmente a época natalícia não teria sido tão agradável e
com um cheirinho a Portugal.

B&A,
L+S

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