estamos habituados, pois aqui "hotel" representa o nosso conceito de
"bar". No inicio da nossa estadia pensávamos que havia muito
alojamento disponivel, mas rapidamente descobrimos que estávamos
enganados. Se quisermos encontrar um local para ficar, temos de
procurar os anúncios que digam "Motel" ou "Inn" (hotel de beira de
estrada mas com boas condições, onde habitualmente podem ficar
familias), "Self-contained Apartments" (apartamentos com cozinha e
lavandaria) ou "Resorts".
O conceito de "hostel" não é muito conhecido fora das grandes cidades,
aí é denominado "backpacker accomodation" (alojamento para
mochileiros). Só que o termo "backpacker" tem alguma carga negativa
associada, pois algumas pessoas ligam-no ao viajante de mochila na
casa dos 20 anos, que bebe álcool frequentemente e tem tendência para
arranjar confusão. E na realidade nos hostels, especialmente nos mais
centrais, encontramos muita gente assim. Por isso agora em vez de
"backpackers" (mochileiros) gostamos de nos descrever como "budget
conscientious travellers", ou seja, viajantes com consciência
orçamental.
Isto significa que procuramos alojamento barato mas longe de
confusões. E por isso optámos por seguir a vertente do campismo,
ficando em "holiday parks" (o nosso conceito de parque de campismo).
Enquanto que os hostels são frequentados maioritariamente por
estrangeiros, os holiday parks são-no por australianos. Em geral as
pessoas são simpáticas e tentam ajudar-nos, mas também há casos em que
não gostam de pessoas estranhas no "seu" parque. Este comportamento
acontece mais com os "residentes", que são pessoas que vivem no parque
todo o ano.
Num holiday park são muito poucas as pessoas que fazem campismo de
tenda. Há muitas casas pré-fabricadas (bungalows), onde algumas
pessoas vivem permanentemente, talvez porque os parques são quase
condominios (com piscinas e outros equipamentos) mas com menos
encargos. Também se vêem muitas caravanas (roulotes) e algumas
autocaravanas. As primeiras pertencem tipicamente aos autralianos que
gostam de viajar pelo país, as últimas são alugadas por turistas
estrangeiros com capacidade financeira para tal (japoneses, alemães,
etc).
Na zona das tendas, a nossa costuma ser a mais "humilde". Há tendas em
autêntico "estilo Khadafi", com mais área e divisões que muitas casas.
Quando estes campistas chegam, parece que chegou o circo à cidade...
No Norte da Austrália os horários são diferentes do Sul. Mais a Norte
amanhece por volta das 5h e anoitece às 18h e somos "obrigados" a
adaptar os horários em conformidade. Todos os dias somos acordados
pelos gritos dos pássaros. Aqui os pássaros não sabem cantar, só sabem
gritar! Há papagaios e catatuas (são tão comuns como os pombos em
Portugal). Há corvos. Há uns pássaros de pernas compridas que rosnam
como cães. Há perus do mato, que gostam de se perseguir em alta
velocidade e fazer razias à tenda. E há uns pássaros pequenos muito
amorosos chamados "kookaburras", mas que gritam como chimpanzés! Todos
os dias levantamo-nos com vontade de comprar uma caçadeira... Mas
mesmo que não fossemos acordados pela chinfrineira, o calor que se faz
sentir às 7h da manhã obriga-nos a sair da tenda e a procurar uma
sombra.
Durante a noite somos visitados por animais que preferimos não
conhecer, pela amostra do que temos visto durante o dia. Só os ouvimos
a rondar a tenda, mas fingimos que estamos mortos na esperança que não
dêem por nós.
Numa tenda sente-se mais os fenómenos meteorológicos. Apanhámos
algumas chuvadas e ventanias, mas a tenda aguentou-se sempre e nunca
nos molhámos. Dizem que "depois da tempestade vem a bonança", mas aqui
na Austrália "bonança" deve querer dizer "nuvens de mosquitos
perseguidas por centenas de osgas e sapos". Depois de uma tempestade
temos de nos movimentar rapidamente, mas com a boca fechada para não
comermos mosquitos e a olhar para o chão para não pisarmos nenhum
sapo...
B&A,
L+S
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