Relato de uma viagem de volta ao mundo por três continentes (e com apenas três cuecas...)
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Bangkok ?
chuva passasse. Chovia torrencialmente durante algumas horas, depois
aparecia o sol escaldante. Se a chuva caisse durante a noite, de manhã
as ruas ficavam alagadas, mas passado algum tempo já estavam novamente
transitáveis. A mudança constante do tempo impediu-nos de ter um único
dia em que conseguissemos concretizar o que tinhamos planeado, nem
sequer conseguimos tirar fotografias do dia-a-dia na cidade.
Começámos a ter noticias de que as cheias no centro do país iriam
estender-se para Bangkok, mas as autoridades afirmavam estar
empenhadas em "salvar a capital". Decidiram erguer barreiras à volta
da cidade para impedir que as inundações se alastrassem à mesma. Os
tailandeses pareciam mobilizados nesta missão, os canais de TV
difundiam imagens de voluntários a encherem sacos de areia para a
construção de diques. Infelizmente não tinhamos canais em inglês, pelo
que não conseguiamos perceber o ponto de situação detalhado das
cheias. Estariam perto ou longe de Bangkok? As barreiras iriam
resistir? Em resumo: deveriamos estar preocupados com a situação, ou
era algo normal a que os tailandeses já estariam habituados a viver
ano após ano?
Nas ruas os proprietários de lojas erguiam barreiras (de sacos de
areia ou muros de tijolo e cimento) para protegerem os seus
estalebecimentos de eventuais inundações, mas no hotel desvalorizavam
a situação e diziam que era normal, que era assim todos os anos. Pelo
sim pelo não, decidimos mudar-nos para um hostel longe do rio. O novo
hostel era mais central e permitia-nos usar o metro para nos
deslocarmos pela cidade. Nos interregnos das chuvas, conseguimos
testemunhar uma ligeira subida do nível das águas do rio Chao Phraya,
mas que pouco impacto teve.
Com o centro do país alagado, o norte a recuperar de cheias recentes e
com Bangkok na iminência de inundações, decidimos voar para sul, para
a zona não afectada e que não se previa vir a ser. As semanas
anteriores tinham sido intensas e um descanso nas praias do sul da
Tailândia até vinham a calhar. Assim, nos últimos 15 dias temos estado
em Phuket e Ko Lanta, onde não temos visto nada para além do sol e da
areia dourada.
Mas temos acompanhado a evolução das cheias. Só agora começamos a
perceber a real dimensão do problema e da forma como está a ser
gerido. Ao inicio as autoridades indicavam que a situação estava sob
controle e garantiam que Bangkok não seria afectada, parecendo não se
importar que os mesmos diques que impediam a água de entrar na capital
estivessem a inundar as zonas circundantes, afectando centenas de
milhares de pessoas. Começámos a duvidar da competência dessas mesmas
autoridades quando vimos que uma das medidas que tomaram foi pedir aos
proprietários de barcos que se unissem e ligassem os motores todos ao
mesmo tempo para que as hélices fizessem acelerar o fluxo de água e
assim permitissem escoar mais rapidamente o rio para o mar...
Durante os últimos dias a situação tem vindo a piorar gradualmente. Os
diques cederam e algumas zonas de Bangkok começam a ser inundadas. O
aeroporto secundário de Bangkok (Don Muang) foi encerrado devido às
cheias (ironicamente é onde está sedeado o centro de operações para a
gestão das mesmas), mas não se prevê que o aeroporto principal
(Suvarnabhumi) possa ser afectado, mas já sabemos como são as
previsões tailandesas... Agora as autoridades já não duvidam que
Bangkok seja inundada e admitem que possa ficar assim entre 4 a 6
semanas. Foi decretado um período de feriado de 5 dias, para que as
pessoas se possam preparar para as cheias.
Isto é um contratempo sério nos planos que tinhamos para o sudeste
asiático. Não é só a Tailândia que está afectada, também os países à
volta (Cambodja, Vietname, etc) têm sofrido com a meteorologia
especialmente agreste deste ano. E sobre o estado real das cheias
nesses países ainda temos menos informação.
Por tudo isto, a grande decisão que temos de tomar nos próximos dias é
se fazemos um circuito voando ponto-a-ponto pelos locais não afectados
dos países circundantes (contrariamente ao plano inicial, que seria
viajar por terra) enquanto esperamos que a situação se normalize, ou
se antecipamos a ida para a Australia (que estava prevista para
Dezembro) enquanto temos a certeza que o aeroporto de Suvarnabhumi
está operacional...
Enquanto vamos tomando a decisão, continuamos tranquilamente a ver os
pores do sol no mar de Andaman e a beber mojitos de manga... Há
decisões que não convêm ser precipitadas!
B&A,
L+S
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Bangkok II
pelos habitantes locais. É preciso ter cuidado com as pessoas que são
demasiadamente simpáticas e prestáveis, pois geralmente há um esquema
escondido para nos fazer gastar dinheiro. Se formos a andar na rua
numa direcção qualquer, há sempre alguém que aponta na direcção
inversa e diz "o Buda Dourado fica daquele lado". Ora, budas dourados
há em qualquer esquina. O truque é meterem os turistas incautos num
tuk-tuk sob o pretexto de os levarem ao Buda Dourado, mas depois
fazerem o rally das lojas onde têm comissões apenas pela visita.
Aqui existem inúmeros alfaiates, que parecem ser todos paquistaneses e
da familia Armani. Os letreiros indicam "K. Armani", "Tony Armani",
etc. Vendem fato por medida, camisa e gravata por cerca de 50 euros.
Em Bangkok mais estabelecimentos de massagens do que pastelarias em
Portugal. Geralmente as massagistas estão sentadas fora das lojas, em
bancos de plástico, a chamarem os clientes: "Thai massage! Foot
massage!". Aqui qualquer um pode ser massagista. Os tailandeses
parecem ter a habilidade inata da massagem, tal como os brasileiros
têm a do samba e do futebol.
Temos reparado que por todos os países onde passamos há sempre duas
coisas que temos de comentar: as comidas e as casas de banho.
Sobre a comida, experimentámos diversas especialidades tailandesas e
em geral gostámos delas, mas o prato que mais nos marcou foi o "Tom
Yum Goong". É descrito como uma sopa aromática e picante de marisco
com massa. Nham-nham, era mesmo o que nos apetecia para descansar do
arroz... Mas na realidade era um caldo vermelho cheio de paus e bagas
(não comestiveis), tão picante que adormeceu a língua após a segunda
colherada. Nem a massa conseguimos comer porque não a conseguimos
separar do entulho. A sopa até era aromática, mas só enquanto pudemos
saboreá-la. Pelos vistos o nosso conceito de sopa é diferente do dos
tailandeses. A eles basta sorver o líquido, coisa que a nossa boca
dormente não conseguia fazer mais. Nesse dia tivemos de re-almoçar.
Em relação aos WC, na Tailândia as sanitas são do estilo ocidental mas
há uma particularidade: o dispensador de papel higiénico fica fora dos
compartimentos. Ora, como é que uma pessoa sabe à partida a quantidade
de papel que vai necessitar? Felizmente temos muitos anos de
experiência profissional a fazer estimativas, pelo que nunca nos
faltou papel...
B&A,
L+S
Bangkok I
tanto andar, pois quisemos aproveitar ao máximo o pouco tempo que
tinhamos no Japão. Agora vamos abrandar, temos bastante tempo pela
frente para disfrutar o sudeste asiático. O nosso próximo voo está
marcado para Dezembro, de Bangkok para Sydney. Até lá vamos tentar
explorar calmamente esta zona. Tokyo foi uma lufada de ar fresco,
literalmente. Em Bangkok está de volta o clima quente e húmido de
Macau e da China. E está de volta também a confusão do trânsito, o som
das buzinas, as ruas sujas, etc.
Viajámos do aeroporto até ao centro da cidade numa ligação de metro
construida recentemente, mas do centro até ao hotel teriamos de
apanhar outro transporte, pois o metro ainda não chega a todo o lado.
No posto de turismo do aeroporto não nos aconselharam a usar o
autocarro porque àquela hora iria demorar muito tempo. Optámos por
apanhar um taxi, mas não se revelou uma tarefa fácil. Sempre que
mandávamos parar um taxi, o preço para o mesmo destino variava de
acordo com o humor do motorista. Tinhamos como referência um valor
entre 60 e 80 baht, mas pediam-nos entre 150 e 200. Também recusámos o
único motorista que nos pediu "apenas" 100 baht, pois pareceu-nos que
não sabia onde ficava o hotel (pela maneira como olhava para as
direcções - em tailandês - que tinhamos imprimido) e suspeitámos que
nos queria levar a qualquer outro sítio onde tivesse comissão.
Finalmente lá encontrámos um taxista honesto que não apresentou uma
proposta de preço, apenas indicou que o preço da corrida seria medido
pelo taxímetro. No final presenteámos o senhor com uma boa gorjeta,
pois afinal a honestidade também deve ser compensada.
Ao chegarmos ao hotel fomos acolhidos pelo recepcionista do turno da
noite, que tinha a particularidade de ser um "lady-boy". Para quem não
conhece o termo, um lady-boy é um homem que se arranja como uma
mulher. Veste-se, penteia-se e maquilha-se. Fá-lo no dia-a-dia e não
especificamente para uma ocasião. É uma situação perfeitamente normal
em Bangkok, vêem-se ladyboys no metro, a atender nas lojas, etc. Não
há qualquer tipo de discriminação e isso é um ponto positivo desta
cidade.
Tinhamos escolhido um hotel perto da famosa rua Khao-San, local com
bares e hostels para onde se dirigem muitos mochileiros, mas tentámos
não ficar demasiado perto, pois queriamos passar as noites
descansados. Confirmou-se que o hotel estava numa zona sossegada mas
acabou por estar perto demais da Khao-San, durante a noite iamos
ouvindo os hóspedes que chegavam da farra.
Bangkok tem a fama de ser uma cidade onde alguns turistas ocidentais
vêm em busca de diversão. Há zonas de bares nocturnos e prostituição.
Vêem-se muitos homens ocidentais de meia-idade com tailandesas (ou
tailandeses) jovens. O amor é uma coisa linda!
Mas o principal tipo de turismo é cultural, há diversos pontos de
interesse na cidade. Há inúmeros templos, museus, espectáculos
tradicionais, etc. Ao longo do rio que atravessa a cidade, o
Chao-Phraya, estão situados alguns dos principais templos budistas da
Tailândia e também o Palácio-Real.
Os tailandeses são malucos por duas entidades: o Buda e o Rei. Em todo
o lado há imagens de um e fotos do outro. Há lojas especializadas para
vender budas, de todos os tamanhos, materiais e posições (deitado,
sentado, em pé, etc). As fotografias do monarca vêem-se em qualquer
sítio, seja na rua, nas lojas, no aeroporto, etc.
Nota-se que a religião é algo muito importante na vida dos
tailandeses. Mais do que uma atracção turistica, os templos são um
local de culto frequentado no dia-a-dia, e há muitos monges que
habitam esses templos. Os monges são bastante respeitados pela
população. É fácil identificá-los pela sua túnica laranja e cabeça
rapada. Nos transportes públicos há lugares reservados para grávidas,
deficientes, idosos e monges...
B&A,
L+S
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Tailândia
Os mais atentos podem ter reparado nas notícias que chegam da
Tailândia, sobre as inundações que têm afectado o país. Queremos
apenas dizer que está tudo bem connosco e que estamos salvos e secos.
As partes mais afectadas pelas cheias são o Norte e o Centro mas nós
estamos no Sul, onde não há motivos para preocupação.
B&A,
L+S
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Ponto de situação
da experiências que vivemos até ao momento. Contrariamente ao que os
posts indicam, estamos agora na Tailândia. Temos feito os posts com 1
ou 2 semanas de atraso porque é complicado actualizar ao momento e nem
sempre temos as melhores condições de acesso à internet. Mas aqui fica
uma dica para saberem onde andamos. Se repararem no blog, existem dois
relógios à direita, um com a hora de Portugal, o outro com a hora do
sítio onde estamos.
Para minimizar o atraso nos posts vamos tentar actualizar o blog com
mais frequência, enviando primeiro as fotos e depois escrevemos os
textos quando tivermos disponibilidade.
Sabemos que têm tido algumas dificuldades em deixar comentários no
blog, por isso se preferirem enviem-nos mails para o endereço
noodlestangoebikinis@gmail.com. Agradecemos todas as dicas que nos
puderem dar e também gostamos de saber notícias vossas.
Sobre nós, em primeiro lugar estamos bem de saúde, também temos sido
prudentes na alimentação. Só comemos alimentos cozinhados, ou
descascados por nós (excepto no Japão).
Aprendemos que quando queremos ser levados mais a sério, temos de
vestir umas calças e esconder as mochilas. A aparência conta e
sentimos na pele o preconceito que há contra os mochileiros.
Independentemente disso não conseguimos dissimular-nos entre os
locais, temos "turista" escrito na testa, e isso tem significados
diferentes em cada país. Na China causamos curiosidade. No Japão
somos-lhes indiferentes, não por desprezo mas porque aceitam a
individualidade e respeitam o espaço de cada um. Na Tailândia
representamos a possibilidade de um bom negócio, estão sempre a tentar
impingir-nos coisas.
Não convém parar na rua e consultar o mapa, nem dar a impressão que
estamos perdidos. Isso é meio caminho andado para meterem conversa
connosco. Há pessoas que são bem intencionadas e nos ajudam, mas há
outras que nem por isso.
Perdemos o preconceito em relação ao McDonalds, deixou de ser
simplesmente um restaurante de fast-food e passou a ser um santuário,
onde nos refugiamos quando precisamos de sentir qualquer coisa
familiar. Não vamos lá para comer, às vezes passamos apenas para tomar
um café ou ir ao WC. Abençoados standards americanos de higiene!
Independentemente do país ou da língua, a Coca-cola é única coisa que
é possível pedir pelo nome sem que haja confusão.
Antes de nos deslocarmos entre sítios, convém estudar a forma de
chegar do aeroporto/estação até ao hotel e imprimir as direcções na
língua local. Marcar apenas 2 ou 3 noites antecipadamente, o resto das
noites só marcar depois. Caso contrário corremos o risco de ter de
ficar num sitio que não gostamos. Por outro lado, também não convém
marcar períodos muito curtos senão andamos constantemente com as
mochilas às costas.
Descobrimos que o mais importante para nós é a localização, é bom
ficar perto do metro ou do autocarro, ou qualquer outro meio de
transporte cujo preço não seja discricionário e que cubra os
principais pontos de interesse.
É importante escolher um local onde seja possível cozinhar. Mas há a
dificuldade acrescida dos ingredientes que existem nos mercados locais
não serem os mesmos a que estamos habituados. Temos que nos adaptar,
até já fizemos feijoada com couve chinesa!
Já temos saudades do belo tinto português, do café, do queijo...
depois de tanta comida tão condimentada, com cheiros e sabores tão
diferentes dos nossos, até já nos apetece uma pescada cozida com
batatas. E nem precisava de levar azeite e vinagre!
Em 6 semanas de viagem não vimos um único português. E no preciso
momento em que estamos a escrever este post, descobrimos que há um
tuga na sala...
B&A,
L+S