Macau. Passámos a fronteira e depois deveriamos apanhar um autocarro
da mesma companhia para nos levar ao hotel. Depois de muito procurar e
muito perguntar, ninguém sabia onde ficava a paragem. No posto de
turismo falavam um inglês sofrível, mas ao menos falavam inglês... No
meio de vários autocarros dos casinos lá encontrámos um da nossa
companhia, mas só nos souberam dizer que não podiamos entrar e
apontavam para seguirmos para a saída do terminal, onde só havia uma
via rápida... Percebemos que nos estavam a despachar, provavelmente
por não termos o perfil típico do turista que visita Macau: chinês e
com os bolsos cheios de Renminbis para torrar no jogo. Talvez as
mochilas e os calções não tenham ajudado... Acabámos por apanhar um
autocarro público e chegámos ao hotel, onde fomos bem recebidos.
Nos dias seguintes conseguimos visitar as principais atracções
turísticas e, finalmente, comemos de faca e garfo um belo bacalhau!
Ainda tentámos comer um pastel de nata e beber um Delta Platina, mas a
esplanada que o L. conhecia já não existia. Descobrimos que, para os
macaenses, o doce típico português é... a Serradura! Não quisemos
desiludi-los, por isso não lhes explicámos que a Serradura nem sequer
foi nomeada para as 7 maravilhas gastronómicas de Portugal...
Apesar de Macau já não ser uma colónia portuguesa, ainda preserva
bastantes referências ao nosso país. A segunda língua continua a ser o
Português. As ruas têm nomenclatura chinesa e portuguesa, os
estabelecimentos comerciais (mesmo os mais recentes) têm o nome em
português (é fácil encontrar letreiros como "Estabelecimento de
comidas Won Fan", "Sopa de fitas", etc.) e há ruas com calçada
portuguesa. Vimos muitos portugueses que devem residir ou trabalhar em
Macau, os filhos estão perfeitamente integrados. Reparámos que alguns
chineses sabiam falar português, por isso não pudemos dizer tantas
asneiras, como de costume...
Nos últimos anos os casinos tomaram conta de Macau. São os casinos que
trazem receitas para o território, por isso não será de espantar que
exista tanta oferta. Como Macau é limitado em termos territoriais e é
necessário mais espaço para construir mais casinos, decidiu-se unir
duas ilhas (Taipa e Coloane) através de um aterro (Cotai) onde
continuam a ser erguidos casinos e hotéis. É nessa área que ficam os
famosos Venetian, Galaxy, etc. Todos os casinos que visitámos,
independentemente da hora do dia, estavam completamente cheios de
pessoas a jogar. As mesas de bacarat e as roletas são os jogos mais
concorridos. A área de jogo "normal" costuma ser bastante pequena para
a dimensão do casino, por isso supomos que as áreas VIP são as que
mais apostadores recebem. Também deu para perceber isso pelos
automóveis estacionados à porta dos hotéis dos casinos. Cada hotel tem
uma frota de Rolls-Royce's ou Bentley's para transportar os melhores
clientes.
Ao inicio, quando chegámos a Macau o ar estava muito quente e húmido.
Mas uns dias depois o tempo começou a piorar, começou a cair uma chuva
miudinha e começámos a sentir uma ligeira brisa. No manhã seguinte
encontrámos um aviso no hotel, a indicar que tinha sido avistado um
tufão e que deveriamos ficar atentos à sua evolução, através da
televisão ou da informação disponibilizada pelos hotéis. O tufão Nesat
estava ainda em grau 1 (foi identificado, mas estava longe). O dia
continuou mais escuro, mas não se sentiram alterações significativas.
Ao fim do dia o grau 1 ainda estava válido. Na manhã seguinte o hotel
avisou-nos que o Nesat tinha passado a grau 8, pelo que não deveríamos
sair à rua "para nossa segurança". Com o grau 8, as escolas, os
transportes públicos e os serviços oficiais encerram. Os ferries não
circulam e os voos são seriamente afectados, ou até cancelados. Mas
para os habitantes locais isto é uma situação normal, não há mais nada
a fazer do que esperar que o tufão passe. E foi o que fizémos...
No último dia apanhámos um ferry directo para o aeroporto de
Hong-Kong, onde apanhariamos um voo para Tokyo na manhã seguinte.
Despachámos as malas em Macau onde nos disseram que só teriamos de nos
preocupar com elas em Tokyo... Começamos a ter confiança no sistema de
gestão de bagagem, vamos ver se não nos desilude. Pernoitámos no
aeroporto pois o voo partiria muito cedo. Algumas horas antes de
partirmos, fomos informados que tinha sido avistado novo tufão (o
Nalgae) já com grau 3, ou seja, está mais perto do território e a
navegação pode ser afectada, mas à partida não há impacto nos voos.
Mesmo não sendo crentes, rezámos para que não fossemos apanhados pelos
ventos vindos do Nalgae...
B&A,
L+S
Sem comentários:
Enviar um comentário