sábado, 26 de novembro de 2011

Melbourne II

Melbourne I - M&M's

Das cidades por onde passámos até agora, esta é (inesperadamente)
talvez a mais preparada para o turismo. No centro da cidade há um
edifício que funciona especificamente como posto de acolhimento de
turistas, e onde se pode pedir informações e marcar visitas. Também se
podem encontrar espalhados pela cidade os "anfitriões" de Melbourne,
que são maioritariamente voluntários idosos que conhecem todos os
recantos da cidade. É uma forma interessante de aproveitar a
experiência de vida dessas pessoas.

Viajar em Melbourne é fácil, os transportes públicos são regulares. Há
também um autocarro turistico grátis que dá a volta à cidade e passa
pelos principais pontos de interesse, assim como um eléctrico grátis
que faz um circuito pelo centro. Aqui e ali vêem-se postos onde se
pode recolher e depositar bicicletas partilhadas, por um preço
simbólico pode-se pedalar pela cidade.

O rio Yarra atravessa Melbourne. Depois do azul da baía de Sydney, o
Yarra foi para nós foi uma decepção. É acastanhado e tem lixo. Apesar
disso organizam-se alguns eventos náuticos, como provas de remo.

Melbourne tem muita oferta cultural e desportiva, há sempre qualquer
coisa a acontecer. Cada vez mais somos adeptos de cidades de M&M's
(Mercados e Museus) e Melbourne é uma delas. O Queen Victoria Market é
o maior mercado da cidade e é digno de se visitar. É tipo uma feira,
mas muito bem organizada. No edificio original (que tem 130 anos)
vende-se queijo, doces, enchidos, vinhos, frutos secos, peixe, etc. A
apresentação das mercadorias é bem cuidada, dá-nos vontade de comprar
tudo. O mercado cresceu para o exterior e já ocupa dois quarteirões,
onde se vende frutas e legumes (biológicos ou regulares), roupa,
calçado, artesanato, etc. A maioria dos comerciantes ainda é
australiana, mas os asiáticos começam a tomar conta do mercado. Vendem
sempre mais barato.

Visitámos a National Gallery of Victoria, um museu com uma colecção
interessante e diversificada. Passámos lá uma tarde sem nos darmos
conta disso. Não só vimos arte, como vimos alguns artistas... Os
nossos velhos "amigos" chineses!

Ver chineses num museu deve ser tão natural e gracioso como ver uma
manada de elefantes numa loja de cristais. Tiveram de ser acalmados
porque estavam a bater furiosamente com uma revista enrolada num dos
cartazes explicativos da exposição. Entraram na sala aos berros e
tiveram de ser calados. Numa das galerias tiraram duas fotografias com
flash, na primeira vez foram gentilmente avisados que não podiam usar
flash (ao ignorarem o "Hello", o funcionário interpelou-os com um
"Ni-hao" e mostrou-lhes um aviso em chinês), e da segunda vez tiveram
de ser expulsos da sala. Quando tentamos tirar fotos às obras (sem
flash!) é comum meterem-se à nossa frente para tirarem eles a foto!
Mas o mais engraçado é estarem numa sala com obras de arte e ficarem
mais interessados no material de que são feitas as portas e as paredes
do museu, do que pelas peças em si. Também é giro constatar que no
meio de um museu, preferem tirar fotografias a si próprios...

B&A,
L+S

Ser Português

A nossa passagem por Canberra deveu-se a um convite de um casal de
amigos portugueses que lá vivem. Sabiam que estávamos em Sydney e
aproveitaram para nos fazer uma encomenda de bacalhau, chouriço e
vinho tinto alentejano. Fomos às compras ao bairro de Petersham, onde
se pode encontrar uma das maiores comunidades portuguesas de Sydney.
Conseguimos identificar à distância que estávamos no sítio certo,
pelos homens de bigode e camisa aberta até ao umbigo, sentados a beber
Superbocks nas esplanadas. Foi engraçado podermos voltar a
cumprimentar pessoas com um "Bom dia!".

Os nossos amigos vivem na Austrália há um par de anos e já parecem
estar perfeitamente integrados na vida de Canberra. Aqui conseguem
conciliar as vidas laboral e familiar. Vivem perto do emprego,
trabalham 8 horas por dia, são reconhecidos profissionalmente e
conseguem ter tempo para actividades pessoais, o que em Portugal é
dificil de conseguir. Deu para perceber que a forma de trabalhar é
mais organizada, cada um tem as suas responsabilidades definidas, não
se tentam fazer mil e uma coisas ao mesmo tempo.

Foram pais há pouco tempo de uma bebé linda que já é australiana e que
em breve será portuguesa.

Passámos uns dias em sua casa, a descansar, a disfrutar da sua
companhia, a comer comida caseira, a falar português... Enfim, a
sermos bem tratados!

No início da nossa viagem houve alguém que nos desafiou a explicar por
onde passassemos o que é ser Português. Até agora não tinhamos tido
muito contacto com estes nossos amigos, mesmo assim convidaram-nos
para sua casa e receberam-nos como se fossemos da sua família. Sabendo
que estavamos sozinhos longe de casa, convidaram-nos também para
passarmos o Natal com eles. Haverá melhor definição do que é ser
Português?

B&A,
L+S

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Canberra

Depois de Pequim, Tokyo e Bangkok, não podiamos passar pela Austrália
sem visitar a sua capital, Canberra. Aprendemos que devemos dizer
"Can-bra", porque se dissermos "Cam-bé-rra" (como se diz à portuguesa)
os australianos não fazem ideia do que estamos a falar...

Canberra é uma cidade pequena, planeada há cerca de 100 anos para ser
a capital do país. A história do seu nascimento é curiosa: na altura
de optar por qual seria a capital da nação, não se conseguiu decidir
se seria Sydney ou Melbourne, por isso chegou-se a uma solução de
compromisso – uma nova cidade a construir a meio caminho entre as
duas. Claro que deve ter havido uma negociata de terrenos para algum
político da altura...

Actualmente Canberra alberga as instituições governamentais do país.
Tudo gira à volta do governo, seja directa ou indirectamente. Aqui se
encontram as principais empresas que têm negócios com o Estado. Talvez
por isso Canberra seja uma cidade multicultural. Como em toda a
Austrália, há necessidade de mão-de-obra especializada (na saúde,
tecnologia, etc) e que tem de ser "importada". Há diversas comunidades
de imigrantes de países como a Índia, Paquistão, Grécia, China, etc.

Esta cidade não é para peões. Toda a gente se desloca de carro, pois
as distâncias são grandes para se percorrer a pé e os transportes
públicos não são muitos. Há quem opte por fazer circuitos mistos,
transportando a bicicleta no autocarro. A cidade é extensa mas não é
densa, há muitos espaços verdes. Vista de cima Canberra parece um
parque, poucas construções se conseguem ver no meio das árvores. Quase
toda a gente vive em casas independentes e tem um pequeno jardim, os
prédios de habitação são poucos e relativamente baixos, o prédio mais
alto tem 22 andares e consegue-se identificar facilmente.

A cidade está envolvida por parques naturais, onde a bicharada pode
andar à vontade. Ao final do dia é possivel ver cangurus.

Como curiosidade, admitimos que em Canberra fomos finalmente
derrotados numa batalha que tinhamos vindo a conseguir vencer ao longo
de mais de 2 meses de viagem, passando por vários países. Foi num
restaurante indiano de Canberra que comemos algo que nos deu a volta à
tripa. Nem na China...

B&A,
L+S

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Sydney IV - Hey man, where are you from?

Aqui ficam mais uma fotos da vida em Sydney. Apreciem!

À parte da vida em Sydney, a vida nos hostels é no minimo curiosa. Se
mesmo dentro de uma família há pessoas completamente diferentes,
imaginem um grupo de pessoas de várias nacionalidades, com hábitos
próprios, a conviverem no mesmo espaço durante vários dias. É como um
Big Brother mas com hipótese de passar o dia fora. Já apanhámos de
tudo um pouco: um tocador de bandolim, duas raparigas muito tatuadas
com vestidos justos de latex, um homem que só fala (ou rosna) consigo
próprio e de quem até os gatos fogem, um vizinho que devia ter um
animal morto no quarto a julgar pelo cheiro, etc. Agora temos uma
companheira de quarto que só pode ser ecológica: em vez de lavar a
roupa, borrifa-a com um produto que (teoricamente) elimina cheiros...

Já tinhamos constatado que poder cozinhar é um aspecto muito
importante para nós. Mas agora percebemos que, para além de um espaço
de preparação das refeições, a cozinha é por excelência um local de
socialização nos hostels. Independentemente da nacionalidade ou da
personalidade de cada um, este é um local que força à interacção, pois
é habitualmente à hora do jantar que todos os hóspedes se cruzam e
disputam os recursos. É como o jogo das cadeiras mas com tachos e
panelas, há sempre mais pessoas do que utensilios. É na altura de
cozinhar que as personalidades sobressaem mais: há os xoninhas que se
deixam passar à frente por toda a gente, há os usurpadores que tentam
passar à frente de todos, há os distraidos que deixam o lume ligado,
há os maniacos da limpeza que lavam tudo o que encontram mesmo que
ainda esteja a ser usado, há os porcos que sujam tudo e não limpam
nada, etc. Nós devemos ser os bonitos que cozinham bem!

Em geral, ao sair da cozinha, cada um vai para seu lado jantar sozinho
ou com o seu grupo. Mas de um momento para o outro pode aparecer um
novo hóspede que dê uma pedrada no charco da timidez geral com uma
simples pergunta: "Hey man, where are you from?" Esta pergunta é o
catalizador de muitas conversas. Se o inquiridor não conhece o país do
inquirido, este gosta de contar coisas sobre a sua terra. Se conhece,
há sempre assunto para continuar a conversa. Independentemente da
resposta, o resultado é sempre uma conversa positiva e entusiasmada.
Com esta simples abordagem finalmente conseguimos ouvir a voz de
pessoas que apenas conheciamos de vista há vários dias.

O hóspede com quem aprendemos esta abordagem é uma personagem e pêras!
No segundo dia da sua estadia já tinha conseguido que lhe oferecessem
uma bicicleta, tinha uma entrevista de emprego agendada, conhecia
todos os empregados do hostel pelo nome e nacionalidade, etc. Tem 40 e
muitos anos, vive em casa da mãe na Holanda e tem um esquema qualquer
que lhe garante 800 euros por mês do Governo. É do Suriname e aparenta
ser árabe (que sabe ser um entrave para estar à vontade em alguns
paises) mas isso não o intimida, pois desarma qualquer preconceito com
o seu "Hey man, where are you from?". Quando lhe respondemos que somos
de Portugal disse-nos que tinha lá estado há três semanas e tinha
adorado ("É muito melhor do que Espanha!"). Mostrou-nos fotografias
suas tiradas em cima da estatua do Camões no Bairro Alto!

B&A,
L+S

Sydney III - Praias (cont.)