Relato de uma viagem de volta ao mundo por três continentes (e com apenas três cuecas...)
sábado, 31 de dezembro de 2011
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Capricorn Coast
encontra protegida pela barreira de coral é invadida por alforrecas
venenosas. Com um mar tão calmo e um sol tão forte dar um mergulho é
uma tentação. Mas sabemos que é um fruto proibido, pois por todo o
lado há avisos acerca do perigo que representam estas "stingers".
Em algumas praias há redes de protecção que permitem às pessoas
nadarem num espaço controlado e teoricamente livres de alforrecas, mas
disseram-nos que as mais pequenas conseguem passar pela rede, por isso
decidimos ficar pelos banhos de piscina. O "vinagre medicinal"
disponibilizado em algumas praias apenas alivia o efeito das picadas e
retarda a acção do veneno por algum tempo, enquanto a vítima reza para
que a ajuda médica chegue em tempo útil...
Mais a sul, na costa junto à linha imaginária do Trópico de
Capricórnio, o mar torna-se mais agitado e está livre de alforrecas.
Aqui já é permitido "nadar entre as bandeiras". Este é o conceito
australiano de "praia vigiada". Num espaço de poucas dezenas de metros
de costa, delimitado por bandeiras amarela e vermelha, é possivel
nadar sob a vigilância dos nadadores-salvadores. Dentro deste limite
duvidamos que alguém se possa afogar, pois são quase tantos os
salvadores quantos os banhistas.
B&A,
L+S
Cozinha & WC
habitual post sobre a cozinha e as casas de banho deste país.
Estamos no país que criou e apresentou ao mundo o programa Masterchef,
por isso seria de esperar que a cozinha australiana fosse mais
interessante do que aquilo que temos visto. Mas se pensarmos que as
suas tradições culinárias foram herdadas das inglesas, não deveriamos
estar assim tão surpreendidos... Podemos considerar como restaurantes
de "cozinha tradicional" os que servem "fish & chips" (filetes de
peixe com batatas fritas), as "pies" (empadas/tartes de carne ou
vegetais), o pudim de frutas e o pão de banana. Ponto final. É apenas
isto que vemos recorrentemente à venda na restauração.
Intriga-nos o facto de não haver muito peixe à venda. Com milhares de
kilometros de costa e centenas de lagos a Austrália é um país de
pescadores, toda gente pesca, novos e velhos, homens e mulheres. Mas
ironicamente não é um país de consumidores de peixe. Nos supermercados
a carne deve ter um peso de 95% contra apenas 5% de peixe, que é
vendido já arranjado e quase sempre em filetes.
Como há muitos imigrantes, há muitos restaurantes de outros países. Os
restaurantes tailandeses estão por todo o lado, desde a cidade mais
populosa à vilareca de apenas algumas centenas de pessoas. Também se
vêem muitos restaurantes gregos, chineses, italianos e... portugueses!
Há duas grandes cadeias de restauração fundadas por portugueses, que
têm como base o frango assado. Orgulham-se de anunciar "Flame grilled
chicken (not fried)!". Ou seja, "frango assado e não frito", porque
frango frito em óleo é o que se faz nos outros países, em Portugal
nunca! A cadeia "Oporto" deve ter centenas de restaurantes espalhados
pela Austrália, e também costumamos ver o "Nando's" nas maiores
cidades.
Mas o verdadeiro frango assado à portuguesa só se pode encontrar no
bairro de Petersham em Sydney. Na parede exterior da churrasqueira
"Silva's" está anunciado "Portuguese style charcoaled chicken", ou
seja, frango assado na brasa à portuguesa. O "À portuguesa" significa
que o frango é assado aberto e temperado com sal, louro, limão,
pimentão e, certamente, picante. Este tempero é vendido em pó nos
supermercados em frascos que dizem "Portuguese style chicken
seasoning". Sabiamos que o bacalhau é um prato tradicional português,
mas nunca nos passou pela ideia que o frango assado também seria.
O que é realmente tradicional na Austrália são os barbecues. Em todos
os espaços verdes há assadores eléctricos de utilização pública e
gratuita. Em geral encontramo-los limpos, as pessoas usam-nos e
limpa-nos de seguida. O churrasco australiano tem duas versões. A
versão completa inclui diversas carnes: vaca, canguru, borrego,
galinha, etc. Mas a versão mais habitual é a versão simplificada: uma
salsicha grelhada servida numa fatia de pão de forma para cada pessoa.
Estivemos num hostel que anunciava "barbecue australiano grátis todos
os domingos". Ofereceram-nos salsichas e pão de forma. Pensavamos que
o dono do hostel estava a ser somitico, mas mais tarde explicaram-nos
que até tinha sido um bom barbecue, pois tinhamos comido mais do que
uma salsicha cada um... Mesmo assim tentamos sempre dar um toque
português aos nossos barbecues, acrescentando uma cebolinha e um
pimentinho. Só nos falta experimentar assar um bacalhau na chapa...
Há dois produtos de origem australiana e que são o orgulho desta
gente: os Tim-tam's e a Vegemite.
Comecemos pelos Tim-tam's. São biscoitos deliciosos cobertos de
camadas de chocolate e que se devem comer seguindo um preceito
rigoroso. Mordem-se dois cantos opostos de forma a que o biscoito
sirva de palhinha para beber café ou leite. Nós experimentámos com
café quente e leite frio, e preferimos o leite pois o café quente
derrete a palhinha muito rapidamente, ficando com as mãos cheias de
chocolate derretido e café.
Já a Vegemite é outra história. É uma pasta concentrada de extracto de
cevada que se barra no pão e se come ao pequeno almoço. Tem um cheiro
horrivel! Quando a S. abriu o frasco e cheirou, queria deitá-lo fora
porque pensava que estava estragado... Mas todos os australianos
adoram comer Vegemite e ofendem-se se alguém disser mal desse
"petisco". A nossa sugestão é a seguinte: se querem cevada, bebam
cerveja!
Para finalizar, falemos sobre os WC. Há WC públicos em todo o lado,
não precisamos de inventar uma ida ao McDonalds para nos refrescarmos.
Outra característica é que todos os autoclismos têm dois botões:
descarga completa ou meia descarga. Os australianos orgulham-se de
terem inventado este mecanismo, mas deviam ficar com um grande melão
se soubessem que em Portugal temos autoclismos com botão de start e
stop. Contrariamente aos países que visitámos anteriormente, aqui não
precisamos de nos preocupar com o papel higiénico. Nunca encontrámos
um WC sem papel, inclusive os dispensadores têm sempre mais do que um
rolo. Os rolos estão sempre trancados com cadeado, mas não nos
admiramos, pois aqui o papel é caríssimo. Especialmente se tivermos em
consideração a sua finalidade...
B&A,
L+S
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
É Natal! É Natal... É Natal?!?
Bárbara Guimarães a apresentar o "Ídolos". Há coisas que não fazem
sentido... Por isso os nossos amigos de Canberra vão tentar
proporcionar-nos um Natal o mais tradicional possível, com bacalhau e
rabanadas. Vamos encontrar-nos com eles numa estância balnear e passar
uns dias a apanhar sol antes de continuarmos viagem rumo a Sul.
O Natal na Austrália, tal como em Portugal, traz ao de cima o carácter
consumista das pessoas. Nos últimos dias temos visto corridas aos
centros comerciais para as compras natalícias. O peru e o camarão
parecem fazer parte da ementa da época. Bacalhau, couves ou polvo por
aqui nem vê-los...
Além da quadra festiva, por estas bandas é também altura das férias de
Verão. Quase todos os alojamentos estão cheios e os poucos que ainda
têm vaga exigem no mínimo marcações de uma ou duas semanas. Tivemos
alguma dificuldade em encontrar sitio para a passagem de ano, mas
felizmente já resolvemos essa questão. Sydney, aqui vamos nós!!
Resta-nos desejar aos nossos fiéis seguidores um Feliz Natal e um ano
novo cheio de coisas boas!
B&A,
L+S
sábado, 17 de dezembro de 2011
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Estrada fora...
mas apenas 23 milhões de habitantes (o mesmo nº de pessoas da área
urbana de Shangai) concentrados nas cidades costeiras. As duas
principais cidades, Sydney e Melbourne, juntas têm 9 milhões de
pessoas. Como termo de comparação, são menos pessoas do que o nº de
desempregados em Espanha...
Num país com esta dispersão geográfica dava jeito haver uma boa rede
nacional de comboios, mas não foi feito esse investimento. Assim as
viagens entre as cidades são feitas de carro ou de avião. Aqui toda a
gente tem carro, os automóveis são mais baratos do que em Portugal e a
gasolina também. Reinam os carros americanos e japoneses, europeus há
poucos. Os carros são grandes e os motores são potentes, quem não
tiver pelo menos um V8 com 3.000 de cilindrada é considerado
mariquinhas... Só os tractores e autocarros é que têm motores a
diesel, o resto trabalha a gasolina pois é mais barata, talvez por
incorporar uma percentagem de etanol, produzido a partir dos milhares
de hectares de cana de açúcar que cobrem a zona Este do país.
Regra geral só existe uma estrada para ligar duas cidades, como não há
estradas alternativas e não há parcerias publico-privadas, essas
estradas não têm portagens. São estradas de apenas uma faixa em cada
sentido, com troços de ultrapassagem frequentes. O limite de
velocidade é 100 km/h e toda a gente o respeita. Sempre que surge um
sinal a indicar 80 km/h, toda a gente reduz para 80 km/h. Se aparecer
um sinal que diga máx.40 km/h, todos os condutores abrandam para 40
km/h. Temos a impressão que se surgir um sinal que diga "Beba
Coca-cola", toda a gente abrirá uma lata.
Apesar do limite de velocidade ser inferior ao português, chega-se ao
destino mais rapidamente, pois não há acidentes e a velocidade de
circulação é constante. Nesta altura já conduzimos quase 3000 kms e
não vimos nenhum acidente. Cada vez mais temos a certeza que a
principal causa de acidentes de viação é o excesso de velocidade...
Como as distâncias são grandes, existem áreas de apoio aos condutores
onde são servidos, por voluntários, cafés e biscoitos grátis doados
por empresas. É uma forma inteligente de "obrigar" os condutores a
parar. Ao longo da estrada vêem-se sinais a indicar "Survive this
drive" ou "Revive, Survive". Também há placas com perguntas de cultura
geral, para despertar a atenção dos condutores.
Outros sinais que aparecem regularmente são os de aviso de zonas de
travessia de animais: cangurus, koalas, emas, dromedários, casuares,
gado e até crianças e idosos! Nas bermas é normal vermos cangurus
atropelados, e também ratazanas do tamanho de caniches.
A estrada não serve apenas para o transporte de pessoas, mas também
para o de tudo o resto que se possa imaginar. Além dos normais camiões
de mercadorias, vêem-se camiões a transportar maquinaria pesada, pneus
gigantes, aviões e até casas inteiras! Aqui a expressão "Querido,
mudei a casa" assume outra dimensão...
O carro dá-nos a liberdade para ver cidades mais pequenas. Fora dos
grandes centros, as casas australianas são de traça simples, mas em
geral com bom gosto. São térreas e com áreas grandes, pois o espaço
aqui não é um problema. Em quase todas se vêem grandes garagens com
jipe, barco e roulote. Os australianos fazem muitas actividades ao ar
livre, em familia. Aproveitam os diversos parques naturais, lagos,
rios, zonas verdes, etc. É fácil disfrutar de actividades náuticas,
pois há rampas públicas de acesso à água em todo o lado, não é preciso
pagar para ter o barco numa marina.
B&A,
L+S
sábado, 10 de dezembro de 2011
Daintree – Chuva, Crocodilos e Casuares
temos 1 mês para completar a viagem, pois partimos para a Nova
Zelândia no início de Janeiro. O caminho mais directo entre Cairns e
Sydney é feito em cerca de 2600 kms, mas devemos fazer alguns desvios
e somar mais algumas centenas de kms ao total. Comprámos material de
campismo para irmos ficando ao longo do percurso. Na Austrália é fácil
acampar, há imensos parques de campismo privados e também se pode
ficar em alguns parques naturais.
A primeira paragem foi em Wonga Beach, num parque junto à praia, mesmo
à porta da floresta tropical de Daintree a norte de Cairns. A
simpática curadora do parque aconselhou-nos a não ir para a praia após
o anoitecer "por causa dos crocodilos"... "Crocodilos?!?",
perguntámos. "Sim, eles vêm dos riachos aqui próximos. Mas não se
preocupem que eles não andam na praia durante o dia, nem entram no
parque. Em 15 anos só vi dois, mas eu também não estou o dia todo a
olhar para a praia...".
Montámos a tenda e passámos uma noite tranquila sob as estrelas a
ouvir o mar. Nem sinal dos crocodilos! Na noite seguinte deitámo-nos
cedo e acordámos a meio da noite com uma chuva torrencial. Após uma
hora de chuva intensa o interior da tenda permanecia seco, mas no
exterior a água já chegava à altura do tornozelo. Achámos melhor fugir
para o carro antes que a tenda inundasse e a água nos levasse no
colchão para o mar dos crocodilos... Felizmente a chuva parou e a água
drenou rapidamente, pois o solo era areia. Pudemos voltar à tenda e
dormir o resto da noite.
Quando associávamos uma cor à Austrália, pensávamos imediatamente no
laranja da terra, ou no azul do mar. Mas na realidade a cor que mais
temos visto é o verde! Em especial nesta zona de floresta tropical, a
vegetação é bastante cerrada. Ao longo da estrada que vai até Cape
Tribulation existem inúmeros alertas para os condutores terem cuidado
com os casuares que habitam a região. Para quem não sabe o que é um
casuar, podemos descrevê-lo como o cruzamento entre uma avestruz e um
peru, mas em versão punk. Tem a altura de um homem adulto e uma
pretuberância óssea no topo da cabeça, e pode ser bastante agressivo
especialmente se acompanhar as suas crias. Apesar de todos os avisos,
só vimos uma cria de relance. Perguntámos aos habitantes locais e
disseram-nos que é raro ver casuares no seu habitat. Talvez seja mais
fácil avistar o Elvis ou o Pai Natal... ou até crocodilos!
B&A,
L+S