mas apenas 23 milhões de habitantes (o mesmo nº de pessoas da área
urbana de Shangai) concentrados nas cidades costeiras. As duas
principais cidades, Sydney e Melbourne, juntas têm 9 milhões de
pessoas. Como termo de comparação, são menos pessoas do que o nº de
desempregados em Espanha...
Num país com esta dispersão geográfica dava jeito haver uma boa rede
nacional de comboios, mas não foi feito esse investimento. Assim as
viagens entre as cidades são feitas de carro ou de avião. Aqui toda a
gente tem carro, os automóveis são mais baratos do que em Portugal e a
gasolina também. Reinam os carros americanos e japoneses, europeus há
poucos. Os carros são grandes e os motores são potentes, quem não
tiver pelo menos um V8 com 3.000 de cilindrada é considerado
mariquinhas... Só os tractores e autocarros é que têm motores a
diesel, o resto trabalha a gasolina pois é mais barata, talvez por
incorporar uma percentagem de etanol, produzido a partir dos milhares
de hectares de cana de açúcar que cobrem a zona Este do país.
Regra geral só existe uma estrada para ligar duas cidades, como não há
estradas alternativas e não há parcerias publico-privadas, essas
estradas não têm portagens. São estradas de apenas uma faixa em cada
sentido, com troços de ultrapassagem frequentes. O limite de
velocidade é 100 km/h e toda a gente o respeita. Sempre que surge um
sinal a indicar 80 km/h, toda a gente reduz para 80 km/h. Se aparecer
um sinal que diga máx.40 km/h, todos os condutores abrandam para 40
km/h. Temos a impressão que se surgir um sinal que diga "Beba
Coca-cola", toda a gente abrirá uma lata.
Apesar do limite de velocidade ser inferior ao português, chega-se ao
destino mais rapidamente, pois não há acidentes e a velocidade de
circulação é constante. Nesta altura já conduzimos quase 3000 kms e
não vimos nenhum acidente. Cada vez mais temos a certeza que a
principal causa de acidentes de viação é o excesso de velocidade...
Como as distâncias são grandes, existem áreas de apoio aos condutores
onde são servidos, por voluntários, cafés e biscoitos grátis doados
por empresas. É uma forma inteligente de "obrigar" os condutores a
parar. Ao longo da estrada vêem-se sinais a indicar "Survive this
drive" ou "Revive, Survive". Também há placas com perguntas de cultura
geral, para despertar a atenção dos condutores.
Outros sinais que aparecem regularmente são os de aviso de zonas de
travessia de animais: cangurus, koalas, emas, dromedários, casuares,
gado e até crianças e idosos! Nas bermas é normal vermos cangurus
atropelados, e também ratazanas do tamanho de caniches.
A estrada não serve apenas para o transporte de pessoas, mas também
para o de tudo o resto que se possa imaginar. Além dos normais camiões
de mercadorias, vêem-se camiões a transportar maquinaria pesada, pneus
gigantes, aviões e até casas inteiras! Aqui a expressão "Querido,
mudei a casa" assume outra dimensão...
O carro dá-nos a liberdade para ver cidades mais pequenas. Fora dos
grandes centros, as casas australianas são de traça simples, mas em
geral com bom gosto. São térreas e com áreas grandes, pois o espaço
aqui não é um problema. Em quase todas se vêem grandes garagens com
jipe, barco e roulote. Os australianos fazem muitas actividades ao ar
livre, em familia. Aproveitam os diversos parques naturais, lagos,
rios, zonas verdes, etc. É fácil disfrutar de actividades náuticas,
pois há rampas públicas de acesso à água em todo o lado, não é preciso
pagar para ter o barco numa marina.
B&A,
L+S
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