os Andes entre Pucón, no Chile, e San Martin de los Andes, do lado
Argentino. Tivemos de optar por uma paragem "técnica" em Osorno e daí
cruzar a fronteira para Bariloche. A fronteira de saída do Chile dista
alguns kilometros do complexo fronteiriço de entrada na Argentina.
Pelo meio fica uma terra de niguém, onde se vêem camadas de cinza
vulcânica acumuladas em tudo o que é superfície, resultado da
actividade do vulcão Puyehue (o tal que afectou a aviação mundial no
ano passado).
À entrada na Argentina, outra vez a proibição dos produtos animais e
vegetais. Começamos a ficar cansados desta história... No caso de
países geograficamente isolados até se compreende, mas será que o
ecossistema da Argentina é assim tão diferente do do Chile, para que
não se possam levar maçãs no farnel para o outro lado da fronteira?
Bem, por outro lado, há malta que tenta levar sacas de batatas. Talvez
as batatas na Argentina sejam tão caras que compense acartar com 30 kg
na bagagem... O ridículo desta situação é que a bagagem do porão do
autocarro não é revistada, por isso pode-se fazer entrar no país
qualquer coisa.
San Carlos de Bariloche, ou Bariloche para os amigos, deve ter sido
uma estância de inverno com o seu auge nos anos 70. O facto de ter
alguma construção desordenada reduz-lhe o charme. O parque automóvel
também parece ter ficado parado no tempo. Mas felizmente que, apesar
de poluentes e desgastados, os velhinhos autocarros e os abundantes
Renault 12 e Peugeot 504 ainda têm força para subir a encosta por onde
cresceu a cidade.
Na principal rua da cidade abundam lojas que vendem o famoso chocolate
da Patagónia. A "Del Turista" e a "Mamuschka" parecem dominar as
vendas, mas provámos os chocolates de ambas e não ficámos muito
convencidos... São bons, mas não ficaram no Top 10 dos chocolates que
já comemos.
Já tinhamos reparado que no Chile era habitual as pessoas beberricarem
de uma canequinha (cheia de folhas de uma planta que nos parecia
oregãos) através de uma palhinha de metal. Descobrimos que essa bebida
se chama "mate" e parece que aqui na Argentina o mate é mato. Está por
todo o lado! Toda a gente tem uma canequinha daquelas. Vêm-se pessoas
com termos de água quente e com pacotes enormes de folhas de mate a
preparar o "caldinho". Ficámos curiosos e tivemos de experimentar,
pois se toda a gente anda com um termo e um pacote de folhas, é porque
deve ser mesmo delicioso. E adivinhem?! Não é! O que provámos sabia a
tabaco, mas pensando bem, talvez seja por isso que gostam tanto. A
nossa teoria é que o mate deve ter alguma propriedade calmante, pois
viver ao lado de vulcões em actividade deve ter o seu quê de
stressante...
A poucos kilometros de Bariloche fica o Cerro Campanário, nomeado pela
National Geographic como tendo uma das melhores vistas do mundo.
Apesar de termos apanhado um dia cinzento, conseguimos perceber o
porquê da nomeação.
B&A,
L+S
1 comentário:
O teu bigode está do best!!
Abraço
Francisco
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