sábado, 3 de março de 2012

Tahiti

Nunca tinhamos vivido o mesmo dia duas vezes. Passamos a explicar.
Visualizem um planisfério. Se do lado esquerdo do mapa forem 00h00 de
um determinado dia, significa que do lado mais à direita já serão
24h00. Viajando de Auckland (que está do lado direito) em direcção a
Este para o Tahiti (que está do lado esquerdo) estamos a voltar ao
início desse mesmo dia. Isto aconteceu connosco no dia 9 de
Fevereiro.

Felizmente a Air Tahiti Nui é uma empresa que tenta minimizar a
confusão que esta situação pode causar na cabeça das pessoas, tendo
descoberto a melhor maneira de deixar os seus clientes descontraidos.
O método é simples e chama-se "álcool". Viajar nesta companhia é quase
como ir a um bar. A senhora que se sentou atrás de nós, antes de
jantar já tinha despachado duas vodkas. Regou o jantar com um tinto e
ainda pediu um whisky para digerir a refeição. Deixou-se de preocupar
com o dia em que estava, adormeceu rapidamente e foi uma excelente
companheira de voo...

Havia uma sensação de "boa onda". No voo ofereceram-nos flores do
Tahiti e à chegada ao aeroporto fomos recebidos por um grupo de
pessoas a tocar ukuleles e a dançar música tradicional. Sentimo-nos
benvindos a esta ilha.

A decisão de virmos ao Tahiti teve a ver com o facto de não significar
um custo adicional no que se refere ao bilhete de avião, já que
teriamos de sobrevoar a ilha no percurso de Auckland para Santiago, e
uma escala aqui não adicionaria mais milhas ao nosso trajecto. Mas
devido a alterações de datas de voos alheias a nós, só pudemos ficar 5
dias na Polinésia Francesa, o que nos "obrigou" a ficarmos pelo Tahiti
e não podermos explorar outras ilhas. Inicialmente tinhamos previsto
visitar a ilha de Moorea, que é a única acessível por barco de forma
independente. Já sabiamos que a Polinésia dos catálogos não iriamos
conhecer (por ser cara e distante – as ilhas da Polinésia estão
dispersas por uma área do tamanho da Europa), por isso decidimos ficar
no Tahiti a descansar e a conhecer - expressão que lemos num guia de
viagens - "a Polinésia real".

A "Polinésia real" pode soar bem, mas a "Polinésia dos catálogos" deve
ser bem mais engraçada. A vida é cara, não há muitos produtos frescos
nos supermercados, os ATMs não funcionam com os nossos cartões,
conduz-se de forma agressiva, os autocarros seguem um "horário
tropical" (ou seja, nunca se sabe quando aparecem), etc.

A Polinésia é onde a França encontrou o tropicalismo e o resultado é
uma mistura de culturas. Os tahitianos adoptaram alguns dos
comportamentos franceses, como o típico acto de transportarem as
baguetes debaixo do braço. Se em França esse hábito é-nos estranho, no
Tahiti é-nos ainda mais. Aqui o clima é quente e húmido, pelo que a
axila não nos parece o melhor sítio para acomodar o pão... Já
conheciamos o "pão de alho", mas aqui parecem ter inventado o "pão com
sabor a refogado"...

Umas das coisas boas é que pudemos voltar a comer peixe. Há à venda
atum fresco, bastante delicioso. À beira da estrada encontram-se
múltiplas roulotes de venda dos mais diversos petiscos, que vão desde
o frango assado, às pizzas, passando pelos crepes. Parece ser a forma
mais económica e comum de se comer fora de casa.

Apesar de não ser azul como a dos catálogos, a água do mar no Tahiti é
quente e calma. Parece uma banheira gigante, que os habitantes locais
gostam de disfrutar. Obviamente que até no Tahiti fomos apanhados
pela chuva e dentro de água era o melhor sítio para se estar.

A nossa saida do Tahiti contrastou com a entrada. Se fomos recebidos
com ukuleles, à saída fomos despachados por uma furiosa equipa de
seguranças do aeroporto à procura sabe-se lá do quê. Mesmo quando o
Raio-X não acusava objectos suspeitos, obrigavam os passageiros a
abrir toda a bagagem, tendo revistado toda a gente de uma forma um
pouco brusca. À despedida da Polinésia, até os turistas do "Catálogo"
levaram o tratamento "Real".

B&A,
L+S

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