segunda-feira, 5 de março de 2012

TANGO

Chegámos a Santiago depois de 12 horas de voo antecedido de uma espera
de 7 horas no aeroporto do Tahiti. O voo na realidade foram dois, pois
fizemos escala na Ilha da Páscoa para formalizar a entrada no
território do Chile. Mais um vez tivemos de assinar uma declaração em
como não transportávamos produtos animais ou vegetais connosco,
especialmente o produto mais temido de todos: o mel. Longe vão os
saudosos tempos em que nos revistavam à procura de armas ou droga...
Não nos admiramos se um destes dias virmos um urso fardado de guarda
fronteiriço, treinado para farejar o néctar das abelhas.

Só após alguns dias é que finalmente conseguimos ultrapassar o
jet-lag. É verdade que passámos de dez horas de diferença para
Portugal para apenas três, mas o calor que se faz sentir em Santiago
também não ajuda, pois durante o dia a temperatura atinge os 35º C.
Com os sonos trocados, não nos conseguimos levantar antes das 10h e
depois dessa hora faz tanto calor que só se pode sair à rua depois das
18h.

Como a maior parte das cidades da América Latina, Santiago tem alguns
problemas de segurança. Não parece haver crime violento, mas há o
pequeno roubo. Presenciámos uma tentativa (falhada) de roubo de
carteira de uma senhora sentada na esplanada onde estávamos. Depois
desse episódio passámos a ter ainda mais cuidado com os nossos
pertences. Por exemplo, a máquina fotográfica deixou de andar sempre
na mão, pronta a disparar.

O cansaço acumulado de quase 6 meses em viagem também começa a pesar.
Nos últimos 2 meses conduzimos quase 12.000 km. Montámos e desmontámos
a tenda dezenas de vezes. Partilhámos cozinhas e WC's com estranhos.
Começamos a ter saudades das nossas coisas, de ter um espaço só nosso.
Dizem que "quem corre por gosto não se cansa". Quem diz isso nunca
deve ter corrido com mochilas de 15 kg às costas e no final da corrida
teve de tomar um duche com água fria e sem pressão num WC de parque de
campismo...

B&A,
L+S

PS – A boa nova é que o L. está a deixar crescer um bigode
sul-americano. Não se pode começar a fase "TANGO" da viagem sem um
bigode! O Tango sem um bigode é como o Fado sem um xaile...

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