- Dentistas de rua. Existem dentistas de dois tipos, os que têm estabelecimento fixo e os itinerantes. Os estabelecimentos são lojas como outro negócio qualquer, à primeira vista parecem cabeleireiros onde através da montra se consegue ver uma fila de cadeiras virada para a parede. A cadeira junto à montra costuma ser a que está ocupada pelo paciente que está a ser tratado no momento. Olhando com atenção, quase que conseguimos ver-lhe o céu da boca... Os dentistas itinerantes escolhem esquinas movimentadas para montar o seu estaminé, composto por cadeira, guarda-sol e mesa de apoio, onde dispõem os seus aparelhos: alicates, moldes em gesso, dentaduras, frascos, etc. A avaliar pela clientela, o aparelho mais utilizado deverá ser o alicate...
- Casamentos. A 2a feira é o dia escolhido para os casamentos. À porta dos hotéis é montado um cartaz com as fotografias dos noivos, as portas são decoradas com balões, é estendida a passadeira vermelha e os noivos recebem os convidados pessoalmente antes da cerimónia, aproveitando os tempos mortos para tirar fotografias.
- Moto-taxis. Em cada esquina há pelo menos meia-dúzia de homens com motos à espera que apareça algum cliente interessado nos seus serviços de taxi. É ve-los montados (sentados ou deitados) nas suas 125cc chinesas. Há as originais Lingken, as Haojue, as Jialing, etc. Mas também há as imitações japonesas: as Yamawon, as Honca, as Sizuki, as Suzuku, etc.
- Vendedores de tofu. Em Yangshuo estão por todo o lado, com seus carrinhos. O tofu tem um aspecto delicioso, mas o seu cheiro é horrível. Não conseguimos passar a menos de 2 metros dos carrinhos, mas os chineses parecem adorar o tofu.
- Modas. Os casais jovens, quando vão passear, vão vestidos de igual. Usam polos ou camisas aos quadrados. Nas lojas são vendidas as versões masculina e feminina das roupas. Quando passeiam, ele leva a carteira dela. É justo, pois as carteiras das mulheres costumam ser invadidas pelos pertences dos homens. Outra moda, que tal como nas cidades grandes aqui também foi adoptada, é o uso de óculos de massa sem lentes. Suspeitamos que os seus portadores querem ter um aspecto mais intelectual .
- Traduções. A tradução do chinês para o inglês é livre. Às vezes não conseguimos perceber o que querem dizer os cartazes, por muitas voltas que demos à cabeça. Outras vezes é apenas divertido, como "supermarking" ou "boby oil"...
- Top-seller. Um dos itens mais vendidos aqui são... malas de viagem! Estamos a falar de trolleys de médio ou grande volume, geralmente comprados por turistas ocidentais. O que nos leva a questionar: para que quer um turista uma mala, quando já está fora do seu país? A nossa teoria é que as companhias aéreas perdem as malas com facilidade e as pessoas são obrigadas a comprar novas. Ou então é para guardarem a grande quantidade de souvenirs que compram na cidade. Outro artigo que tem muita saída entre os chineses são os chapéus de palha com uma fita com o nome "Ronaldiño". Suspeitamos que tenham sido fabricados alguns milhões de chapéus com o nome do craque brasileiro quando ele ainda jogava em Espanha, mas que não conseguiram escoar em tempo útil. Ou então há muitos chineses chamados Ronaldiño...
Relato de uma viagem de volta ao mundo por três continentes (e com apenas três cuecas...)
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Curiosidades de Yangshuo
Cama, comida e roupa lavada
de cozinha da China. A sua principal característica é que todos os
pratos são picantes. Para os chineses, cozinhar sem malaguetas seria o
mesmo sacrilégio do que para os portugueses cozinhar sem cebolas. Por
isso decidimos dar folga ao arroz e aproveitar a existência de
diversos restaurantes ocidentais (ou ocidentalizados).
Para quem decidir passar por Yangshuo, o nosso conselho vai no sentido
de experimentarem o Kelly's Cafe. A Kelly é chinesa mas apostou em
diferenciar o seu pequeno restaurante (aconselhado pela Lonely
Planet), direccionando-o principalmente para os turistas ocidentais.
Não experimentámos o auto-proclamado "melhor hamburguer vegetariano de
Yangshuo", optámos antes pela deliciosa lasanha e redescobrimos o há
muito esquecido sabor a oregãos. Confirmámos que é servida "a cerveja
mais fresca da cidade", o que não é dificil, pois em todo o lado só se
vende cerveja morna, que se torna quente mal entra em contacto com a
caneca. A Kelly serve outras iguarias, como o batido de banana com
Oreos ou o batido de Snickers. Mas a nossa preferência vai para o
simples iogurte com muesli e frutas. Em lado nenhum da cidade
conseguimos comprar iogurtes ou outros produtos refrrigerados, por
isso o iogurte da Kelly é um dos pratos mais apreciados. Também há
pratos orientais "sem MSG, cozinhados apenas com óleo vegetal",
experimentámos o pato com ananás. Thumbs up para o Kelly's Cafe.
No Rock'n'Grill relembrámos os sabores dos cominhos e da salsa,
nomeadamente através de uma carne do médio-oriente em pão-pita e de um
"hamburguer de Xi'an".
Relativamente a alojamento, aconselhamos o Charming Inn. É um hostel
com meia-dúzia de quartos simples e limpos, a preços justos,
localizado numa transversal à rua principal, e por isso com algum
barulho até à meia-noite, mas não tem a inconveniência de sermos
acordados às 6h da manhã pelos ruidosos habitantes locais. O Charming
Inn é gerido pelo Jack e pela sua esposa, que arranjam o que for
preciso: lavandaria, aluguer de bicicletas, todo o tipo de bilhetes e
excursões, etc. O Jack é extremamente prestável e sabe falar inglês
com bom nível, o que nesta terra é um achado. Tem ainda outra vantagem
face à concorrência, o acesso ao Facebook, que como se sabe na China
está bloqueado. Explicou-nos que o acesso é feito através de um
browser especial, pago, que provavelmente se liga dinamicamente aos
proxies que as entidades ainda não descobriram e bloquearam. O Jack
costuma levar os hóspedes à estação de autocarros e ajudá-los a entrar
para o autocarro certo, pois aqui só há indicações em chinês.
Voltando à alimentação, os supermercados só vendem produtos de
mercearia. As frutas e legumes são vendidos pelos pequenos produtores
espalhados pela cidade, ou no mercado local. Neste mercado há de tudo.
Frutas, legumes, sementes, ovos, massas, arroz, etc. Há peixes vivos
em alguidares com água, pois são mortos e preparados no local, para
serem consumidos no próprio dia. Há sapos, enguias, cágados, caracóis
e outra iguarias. A zona do "talho" fica ao fundo do mercado, em
compartimentos individuais. Ao fundo de cada compartimento são
empilhadas gaiolas de animais vivos (galinhas, patos, coelhos, etc),
sendo que na parte da frente fica a bancada em madeira ensanguentada
onde são mortos, esfolados e partidos os animais a pedido do cliente.
O mercado é abafado e cheira a animais. Fazer compras aqui é
complicado, pois os preços são negociados verbalmente, não há a
calculadora para o turista. Também é dificil negociar os preços com os
dedos das mãos, pois os chineses contam de forma diferente de nós.
Conseguem contar até 10 só com uma mão. Aprendemos que um 8 é
representado pelo polegar e indicador esticados, pois comprámos uma
melancia e após muita insistência do vendedor a apontar com o polegar
e o indicador, lá decidimos pagar com uma nota de 50 e esperar pelo
troco...
B&A,
L+S
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Bamboo boat
que se vendem em Guilin consistem em descer o rio até Yangshuo num
barco grande, visita pela cidade e regresso a Guilin em autocarro ao
fim do dia. Como já estavamos em Yangshuo decidimos fazer de forma
diferente, apanhariamos o autocarro público até Xingping e daí
seguiriamos até Yangdi num barco de bamboo, voltando a Yangshuo em
autocarro. Combinámos tudo com o dono do hostel e lá fomos. Ele foi
connosco à estação para nos indicar o mini-bus, pois aqui os
autocarros não têm número ou indicações em inglês, e ele disse-nos que
em Xingping estaria uma mulher à nossa espera para nos levar ao barco
certo.
Chegados a Xingping, estava instalada a confusão total. Era domingo,
por isso a vila estava repleta de turistas que iam fazer o mesmo que
nós. Havia autocarros, motas, gente a circular, muitas buzinas e muito
barulho. Ao sairmos do autocarro fomos abordados por um homem, que nos
disse que era ele que nos ia levar ao barco. Desconfiámos, pois é
muito fácil alguém chegar junto de nós e dizer "venham comigo" e
quando damos por nós estamos metidos em algum barco onde afinal ainda
falta pagar isto e aquilo.
Enquanto o homem recolhia mais passageiros para o seu transfer,
pedimos ajuda a umas raparigas que já estavam no carrinho para verem
se o nome do nosso contacto que constava no recibo correspondia àquela
pessoa. Afinal era a pessao certa. Partimos em direcção aos barcos,
mas cada vez mais aumentava a confusão. Havia dezenas de carrinhos a
levar pessoas para vários pontos da margem, onde estavam inúmeros
barcos de "bamboo". Hoje em dia o bamboo foi substituido por canos,
mas é capaz de ser mais seguro assim. O homem do carrinho estava a
ficar nervoso porque havia muito trânsito e os barcos tinham de partir
até às 10h30, mas lá conseguimos chegar ao ponto certo da margem a
tempo e zarpámos no nosso barco de bamboo.
Vimos as fomosas montanhas das notas de 20 Yuan e outras tantas que
não sabemos identificar, mas nas quais os chineses vêem coisas que nós
nem com muita imaginação lá chegaríamos. "Nine horse fresco hill" ,
"Pen holder hill", etc. À medida que iamos avançando, muito barcos iam
ficando para trás. O circuito para os chineses é diferente do que foi
para nós. E ainda bem. Eles param em tudo o que é sítio ao longo do
rio. Seria interessante se as aldeias mantivessem elementos da traça
original. Mas não é assim. São absolutamente incaracterísticas.
A meio do percurso entendemos porque é que os barcos de bamboo tinham
de sair até às 10h30. Surgiu o primeiro barco de cruzeiro vindo de
Guilin, muito maior do que o nosso. E depois outro e mais outro. E
mais umas dezenas! Todos idênticos, uns mais velhos que outros, uns
com mais ocidentais, outros com mais chineses. Nós continuámos no
sentido contrário, a subir o rio tranquilamente.
Acabou por ser 1h30 bastante agradável, num barquinho só para nós.
Tirámos muitas fotos, divertimo-nos. Mas acho que o zumbido dos
motores de tantos que eram os barcos só sairam dos nossos ouvidos
quando regressámos a Yangshuo.
E para chegar a Yangshuo foi necessário apanhar outro mini-bus à saída
do cais de Yangdi. Mais uma actividade que vale por si só. O autocarro
passa por meios mais pequenos e rurais, onde há vendedores de carne à
beira da estrada, sentados ao sol (talvez porque houvesse um mercado
por perto). O autocarro não tem horários, fica nas paragens à espera
que apareçam clientes suficientes para continuar viagem. Ficámos
parados mais de meia hora à espera que aparecessem mais pessoas, coisa
que nunca aconteceu. A cobradora dos bilhetes é pró-activa e sai do
mini-bus com frequência para chamar ou apressar passageiros a entrarem
no autocarro. Ela deve ser tão convincente que achamos até que há
pessoas que não estão a pensar ir a lado nenhum, mas que acabam por
entrar e ir dar uma voltinha!
B&A,
L+S
Alices
de estudarmos vários percursos alternativos, optámos pelo caminho mais
concorrido pois era a primeira vez que iamos sair do centro e não nos
queriamos meter em grandes aventuras. Lá fomos alugar as bicicletas,
calharam-nos duas "Alices" cor-de-rosa...
Saindo da cidade passámos por várias atracções "naturais" (um bocado
"forçadas", mais direccionadas para o turista chinês), que decidimos
não visitar. Fomos pelo passeio, poder circular ao ar livre e fazer
algum exercício já era bom. O percurso que escolhemos seguia por
estradas principais, onde passam automóveis, mas as bermas são
comummente utilizadas pelas bicicletas. A certa altura já não ligamos
às buzinas dos autocarros nem às dezenas de outras bicicletas que
passam por nós.
Apesar do dia ter começado fresco, passados 12 ou 13 kms, o sol
começou a aquecer e lembrámo-nos que faltavam outros tantos kms para
voltar... Mesmo assim decidimos testar a resistência das Alices e
continuar por um caminho secundário, em terra batida e gravilha, e que
nos levava a uma aldeia onde podiamos cruzar o Yulong e voltar a
Yangshuo por um trilho ao longo do rio. Mas não conseguimos, porque a
certa altura fomos abordados por uma mulher que queria 20 Yuan, por
cada um de nós, para nos deixar passar!Dissemos que não pagavamos
nada, mas ela barrou-nos a passagem. Perante isto tinhamos 3
alternativas: pagar os 40 Yuan, negociar o valor, ou simplesmente
recusar e regressar pelo mesmo caminho. Passar sem pagar não era uma
opção, pois começou a aparecer o resto da sua familia e ficámos em
menor número. Ainda pensámos em fazer um buzinão de protesto contra as
portagens, mas as campainhas das Alices não tinham power suficiente...
Cansados e sem vontade de argumentar em chinês, voltámos para trás. Há
situações em que, se falassemos todos a mesma língua, se resolviam
rapidamente. Aqui, nem sempre é assim, não há como vencer a força da
língua chinesa. Não há nenhuma possibilidade de argumentação. Nenhuma.
E lá fomos nas nossas Alices, de volta a Yangshuo pelo mesmo caminho.
Gostámos tanto que decidimos repetir! Mas desta vez escolhemos Alices azuis...
B&A,
L+S
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Yangshuo
rodeada por um cenário de pequenas montanhas características da zona.
A cidade vive do turismo e há aqui muitos ocidentais, que preferem
descer 80 kms do que ficar em Guilin, que está mais focada no turismo
interno e serve de base para as excursões de milhares de chineses que
visitam a região.
As manhãs em Yangshuo são calmas, mas a partir das 14h00 ou 15h00
começa a ser invadida pelos turistas que descem o rio Li em barcos de
cruzeiro desde Guilin. Os turistas são encaminhados para a zona
comercial e voltam a Guilin em autocarro ao fim do dia. À noite
Yangshuo transforma-se. Desaparecem algumas bancas de venda e aparecem
os bares e discotecas com varão de strip. Para os habitantes locais e
turistas mais habituados às grandes cidades esta transformação não tem
grande impacto. Mas para os visitantes provenientes de localidades
mais pequenas, tudo isto é uma excitação enorme. Ficam embasbacados
com os neons e luzes fluorescentes, com a música e animação dos bares.
Felizmente para nós, a movimentação nocturna em Yangshuo acaba antes
da 1h00.
A cidade tem inúmeros hotéis, hostels, restaurantes e bares. A todo o
lado que vamos somos abordados por vendedores de alguma coisa. Ouvimos
constantemente "Hello!", seguido de "Bamboo boat?", "Parchemina?", "Do
you need a guide?", "Bike to rent!", "Watch?, Rolex?", "DVD?, Haly
Potter?". Também costumam dizer "Please look", e ficam satisfeitos se
apenas olharmos para o que estão a tentar vender, mesmo que não nos
interessemos pela mercadoria. São capazes de correr 100 metros até nós
para nos tentarem vender qualquer coisa, mas vão-se embora ao primeiro
ou segundo "No thanks", sem serem demasiadamente insistentes.
Definitivamente estão habituados aos turistas, pelo que aqui não nos
sentimos desenquadrados.
As principais atracções de Yangshuo são as actividades ao ar-livre. É
possivel alugar bicicletas, fazer escalada, rafting, etc. Podem-se
explorar grutas e tomar banhos de lama. Na confluência dos dois rios é
feito diariamente um espectáculo nocturno que envolve mais de 600
figurantes, num cenário natural rodeado por montanhas. Este
espectáculo foi criado pela mesma pessoa que organizou a famosa
cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos em 2008. O passeio de barco
entre Guilin e Yangshuo passa pela maior atracção para os chineses.
Trata-se de um cenário de montanhas que ficou imortalizado por ter
sido escolhido como imagem das notas de 20 Yuan.
Saindo do centro de Yangshuo o cenário é diferente. Entramos numa
China mais rural, onde as pessoas vivem da agricultura e subsistem com
poucos recursos. Vêm à cidade para vender os seus produtos no mercado
local.
B&A,
L+S
Julie et Clement
seguir directos para a estação de autocarros para apanhar o expresso
para Yangshuo, sem ligar às dezenas de agentes que gritavam "Mini-Bus
to Yangshuo!"... Segundo os guias de viagem, esses mini-bus não são
directos, param algumas vezes pelo caminho, e há relatos de alguns
autocarros que deixam os turistas ocidentais a meio-caminho, indicando
que já estão em Yangshuo. O esquema consiste em aparecer alguém de
seguida que cobra caro para levar os turistas para a cidade. Caso
recusem, têm de enfrentar km's pela frente, numa terra desconhecida.
Por isso optámos por andar 800 metros até à estação "oficial" de
expressos.
Connosco caminhou um casal de franceses que conhecemos no comboio.
Tinham vinte e poucos anos e estavam a iniciar uma volta ao mundo de 1
ano. É habitual os franceses fazerem uma viagem deste tipo quando
terminam a universidade, e antes de ingressarem no mundo do trabalho.
Estes tinham começado a sua viagem há apenas 3 dias e notava-se que
ainda estavam mais "verdinhos" do que nós. O Clement trazia consigo
guias de viagem e guias de conversação para os próximos 6 países a
visitar. Geralmente quem faz uma viagem de mochila às costas não
costuma estar disposto a carregar vários kilos de papel, mas ele
parecia carregar a mochila de 80+10 litros sem dificuldade. A Julie
era a mais despreocupada, para ela estava sempre tudo ok. Nem
estranhou as condições do comboio, porque segundo ela, em França
também são idênticos. Ficou admirada quando lhe dissemos que em
Portugal não há comboios-cama, por ser um país pequeno onde se viaja
sem necessidade de dormir a bordo.
Apresentamo-nos, "Luis e Sara", e ela "Ahhh... Louis et Sarrrráh!". Ao
longo dos 800 metros até à estação de expressos, o Clement parou 3
vezes para mostrar o guia de viagem aos locais e confirmar, usando o
guia de conversação, que estávamos no caminho certo. Lá comprámos os
bilhetes e seguimos no autocarro. Ao chegarmos a Yangshuo, mal saímos
do expresso, parecia que estávamos na Nazaré. Fomos imediatamente
abordados por diversas pessoas com fotografias de quartos, a tentarem
impingir-nos os seus hotéis. Só faltavam os cartazes a dizer "Rooms,
Chambres, Zimmer". Enquanto preparávamos as mochilas, vimos os
franceses a seguirem caminho com um dos agentes dos hotéis. Pensámos
que poderiam ter sido enganados, pois os nomes dos hotéis são muito
semelhantes. Nem tivemos hipótese de avisá-los, eles lá haveriam de
descobrir se tinham ido para o hotel certo.
No dia seguinte voltámos a encontrá-los. Disseram-nos que tinham tido
problemas com o hotel. Afinal tinham ido para o hotel correcto, mas
chegados lá o gerente recusou-se a alugar-lhes o quarto pelo preço que
tinham reservado através da internet. Queria mais dinheiro, pelo que
eles recusaram e seguiram para outro hotel onde tudo acabou por correr
bem.
B&A,
L+S
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
T77
profundidade se o próximo destino, Guilin, estaria preparado para
acolher turistas ocidentais. Optámos por seguir para Yangshuo, uma
pequena cidade a sul de Guilin que vive de e para o turismo. A única
forma de chegar a Yangshuo é por Guilin, por isso teriamos de apanhar
um comboio com destino a essa cidade.
Ora, há vários comboios entre Shanghai e Guilin e escolhemos,
obviamente, o mais rápido. A viagem demorou apenas 20 horas, para
percorrer 1800 km. Partimos às 16h30 e chegámos às 12h30 do dia
seguinte. Infelizmente não há comboios-bala nesta parte da China, mas
a linha rápida está já a ser construida paralelamente à linha actual.
Após a excelente impressão que tivemos da nossa viagem no
comboio-bala, a nossa expectativa era alta. Sabiamos que este comboio
não teria as mesmas condições, mas não estavamos preparados para o que
nos aguardava. O T77 é um comboio noturno com carruagens-cama, não tem
lugares sentados. Ao longo de cada carruagem há um estreito corredor
lateral junto às janelas, que é utilizado por passageiros e
vendedores. Debaixo de cada janela existem pequenas mesas e bancos
rebativeis. O resto do espaço é ocupado pelos 12 compartimentos-cama,
onde existem dois beliches de 3 andares em cada um.
Quando comprámos os bilhetes escolhemos as camas de cima, pois
estariamos mais resguardados dos restantes passageiros. Tinhamos lido
que as camas de baixo eram geralmente utilizadas como assentos, porque
no corredor não há lugares para todos. Tinhamos lido também que as
camas de cima tinham pouco espaço mas não nos importámos com isso. O
que não lemos em lado nenhum é que as camas de cima ficam a mais de 2
metros de altura e que não há escadas de acesso... Tivemos de usar as
camas de baixo e do meio para "treparmos" até às nossas. Outra coisa
que não é dita é que as camas de cima ficam muito perto do candeeiro,
dos altifalantes e especialmente do A/C. Estava um frio de rachar no
compartimento, felizmente os edredons estavam limpos, pelo que
conseguimos dormir quentes.
Mas ainda o comboio não tinha partido da estação e já andava um homem
vestido com calças de pijama aos bonecos e camisa interior de alças...
Toda a gente tirou os sapatos e calçou chinelos. Digamos que as unhas
dos pés dos chineses dariam direito a um post...
Ao longo de toda a viagem passavam no corredor vendedores com os seus
carrinhos. Havia o vendedor de fruta e vegetais que já deve ter sido
tenor numa ópera chinesa, cada vez que passava por um dos
compartimentos assustava toda a gente com o seu pregão. Havia a
vendedora de arroz com qualquer coisa a acompanhar. Havia a vendedora
de toalhas de rosto. Havia a vendedora de brinquedos chineses. E havia
o nosso vendedor favorito, que na primeira vez que passou vendia
revistas chinesas. Na segunda vez já vendia palmilhas ortopédicas. Nas
vezes seguintes vendia outros itens. E na última vez vendia uma cera
de limpeza que fez questão de demonstrar a sua qualidade, limpando um
pedaço da parede do comboio. Até então nós pensávamos que as paredes
eram cinzentas, mas ele conseguiu demonstrar que afinal eram brancas.
Porque é que ele não veio desde o início da viagem a limpar o comboio
com a cera?
Outra personagem era um dos funcionários do comboio, aquele senhor que
durante as paragens sai do comboio e procura fissuras nas rodas das
carruagens, batendo com um martelo de ferro. Alguém se lembra do
Guarda Serôdio dos "Amigos do Gaspar"? Pois este era semelhante. Tinha
repas/franja que saíam por baixo do boné (que não lhe passava do alto
da cabeça) e lhe caiam sobre os olhos em bico. Era magricela e
transportava constantemente o martelinho e a lanterna.
Tirando as camas, não se pode dizer que o T77 seja um comboio limpo. E
a culpa é dos passageiros. A maior parte dos nossos companheiros de
compartimento deitavam o lixo para o chão, apesar de existir um
caixote de lixo em cada compartimento. Estamos a falar de pacotes de
bolachas vazios, cascas de fruta, etc. Mas não deve ter sido
intencional, pois deviam estar distraidos pelos constantes jogos de
cartas. Quando demos conta estavamos nós no corredor e estavam 7
chineses a jogar cartas dentro do nosso compartimento.
Esta é uma experiência obrigatória para quem quiser visitar a China.
Mas bastariam 2 ou 3 horas no comboio, não seriam necessárias 20 horas
de experiência...
B&A,
L+S
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Mais Shanghai
Jade porque depois de comprarmos o bilhete descobrimos, já dentro do
templo, que seria necessário pagar um valor extra e já não tinhamos
mais dinheiro connosco. Há sempre surpresas em relação aos
pagamentos... Para chegar ao templo andámos km's, mais uma vez. É
preciso cuidado na interpretação dos mapas, pois as escalas nem sempre
estão correctas. Este templo, além de ser uma atração turistica,
continua em funcionamento para os serviços religiosos, vivendo nele
alguns monges budistas. Foi a primeira vez que vimos alguma relação
dos chineses com a religião. Apesar de serem um povo muito
supersticioso e crente, ainda não os tinhamos visto em oração, nem
reparámos ate aqui em muitos locais de culto.
O fim de semana prolongado (2a feira foi o Mid-Autumn Festival) trouxe
à cidade milhares de visitantes chineses. É impossível andar nas ruas
ou nos transportes públicos. Para qualquer lado que nos viremos, há
sempre muita gente. Na China nunca se está sozinho, e em especial
nestas alturas.
Pela primeira vez arriscámos a comer espetadinhas, mas na versão limpa
(julgamos nós). Em todos os mercados de rua se vendem estas iguarias,
cheiram bem e apetece-nos comer, mas temos tido receio da falta de
higiene. Desta vez estavam a faze-las num centro comercial, por isso
decidimos arriscar. São saborosas, comemos de porco e de lulas. E não
nos aconteceu nada... Os centros comerciais são os locais mais limpos
que conseguimos encontrar para comer. Há muita variedade e quase
sempre se vê a cozinha.
Nas outras cidades só tinhamos visto centros comerciais do tipo
open-space. Shanghai tem centros comerciais idênticos aos portugueses,
com lojas individuais e zona de restauração. Até as lojas são as
mesmas: a Zara, a Bershka, a Pull&Bear, a Stradivarius, etc. Os
espanhóis estão a tomar conta dos centros comerciais chineses, o que
não deixa de ser irónico. As roupas dessas lojas são feitas na China,
vendidas por espanhóis e compradas por chineses, a preços europeus...
B&A,
L+S