sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Cama, comida e roupa lavada

Yangshuo rege-se pelo tipo de cozinha Sichuan, um dos diferentes tipos
de cozinha da China. A sua principal característica é que todos os
pratos são picantes. Para os chineses, cozinhar sem malaguetas seria o
mesmo sacrilégio do que para os portugueses cozinhar sem cebolas. Por
isso decidimos dar folga ao arroz e aproveitar a existência de
diversos restaurantes ocidentais (ou ocidentalizados).

Para quem decidir passar por Yangshuo, o nosso conselho vai no sentido
de experimentarem o Kelly's Cafe. A Kelly é chinesa mas apostou em
diferenciar o seu pequeno restaurante (aconselhado pela Lonely
Planet), direccionando-o principalmente para os turistas ocidentais.
Não experimentámos o auto-proclamado "melhor hamburguer vegetariano de
Yangshuo", optámos antes pela deliciosa lasanha e redescobrimos o há
muito esquecido sabor a oregãos. Confirmámos que é servida "a cerveja
mais fresca da cidade", o que não é dificil, pois em todo o lado só se
vende cerveja morna, que se torna quente mal entra em contacto com a
caneca. A Kelly serve outras iguarias, como o batido de banana com
Oreos ou o batido de Snickers. Mas a nossa preferência vai para o
simples iogurte com muesli e frutas. Em lado nenhum da cidade
conseguimos comprar iogurtes ou outros produtos refrrigerados, por
isso o iogurte da Kelly é um dos pratos mais apreciados. Também há
pratos orientais "sem MSG, cozinhados apenas com óleo vegetal",
experimentámos o pato com ananás. Thumbs up para o Kelly's Cafe.

No Rock'n'Grill relembrámos os sabores dos cominhos e da salsa,
nomeadamente através de uma carne do médio-oriente em pão-pita e de um
"hamburguer de Xi'an".

Relativamente a alojamento, aconselhamos o Charming Inn. É um hostel
com meia-dúzia de quartos simples e limpos, a preços justos,
localizado numa transversal à rua principal, e por isso com algum
barulho até à meia-noite, mas não tem a inconveniência de sermos
acordados às 6h da manhã pelos ruidosos habitantes locais. O Charming
Inn é gerido pelo Jack e pela sua esposa, que arranjam o que for
preciso: lavandaria, aluguer de bicicletas, todo o tipo de bilhetes e
excursões, etc. O Jack é extremamente prestável e sabe falar inglês
com bom nível, o que nesta terra é um achado. Tem ainda outra vantagem
face à concorrência, o acesso ao Facebook, que como se sabe na China
está bloqueado. Explicou-nos que o acesso é feito através de um
browser especial, pago, que provavelmente se liga dinamicamente aos
proxies que as entidades ainda não descobriram e bloquearam. O Jack
costuma levar os hóspedes à estação de autocarros e ajudá-los a entrar
para o autocarro certo, pois aqui só há indicações em chinês.

Voltando à alimentação, os supermercados só vendem produtos de
mercearia. As frutas e legumes são vendidos pelos pequenos produtores
espalhados pela cidade, ou no mercado local. Neste mercado há de tudo.
Frutas, legumes, sementes, ovos, massas, arroz, etc. Há peixes vivos
em alguidares com água, pois são mortos e preparados no local, para
serem consumidos no próprio dia. Há sapos, enguias, cágados, caracóis
e outra iguarias. A zona do "talho" fica ao fundo do mercado, em
compartimentos individuais. Ao fundo de cada compartimento são
empilhadas gaiolas de animais vivos (galinhas, patos, coelhos, etc),
sendo que na parte da frente fica a bancada em madeira ensanguentada
onde são mortos, esfolados e partidos os animais a pedido do cliente.
O mercado é abafado e cheira a animais. Fazer compras aqui é
complicado, pois os preços são negociados verbalmente, não há a
calculadora para o turista. Também é dificil negociar os preços com os
dedos das mãos, pois os chineses contam de forma diferente de nós.
Conseguem contar até 10 só com uma mão. Aprendemos que um 8 é
representado pelo polegar e indicador esticados, pois comprámos uma
melancia e após muita insistência do vendedor a apontar com o polegar
e o indicador, lá decidimos pagar com uma nota de 50 e esperar pelo
troco...

B&A,
L+S

1 comentário:

SCAD disse...

e tufoes nada!???? lol