Finalmente a viagem começou! Depois de longas semanas de preparação é altura de pôr as pernas ao caminho.
Primeira paragem: Barajas. Decidimos ir para Espanha no dia anterior à partida para a China, pois não queremos correr o risco de perder o voo para Pequim. Ao chegar a Barajas deparamo-nos com a primeira falha no planeamento: não estudámos a forma de ir do aeroporto para o hotel. Felizmente o hotel tem um autocarro que nos foi buscar... Ainda agora começámos e já estamos a cometer erros... Melhor assim, antes em Espanha do que na China.
Barajas é uma cidade pequena com diversos hotéis para os passageiros em trânsito pernoitarem sem se deslocarem a Madrid (que fica a 1 hora de metro). Demos uma volta para conhecer a zona e fazer umas compras. Estava um calor brutal e haviam poucas pessoas na rua, pois as lojas só reabrem às 17h00. Cruzámo-nos com um homem de aspecto magrebino que tentou vender-nos uma moto-serra... Obviamente, pois deviamos estar com cara de serial-killers!
Mas a coisa mais estranha com que nos deparámos foi... o recepcionista do hotel era um espanhol genuinamente simpático que sabia falar Português!
Na manhã seguinte fizemos check-in no balcão da Iberia, onde nos explicaram que as malas seguiriam directamente para Pequim e que só teriamos de nos preocupar com elas quando lá chegassemos. Ora, escusado será dizer que fomos preocupados todo o caminho porque ainda iamos mudar de avião em Londres. Ainda mais porque um dos nossos lugares no avião estava ocupado (dupla marcação do mesmo lugar) e o voo partiu atrasado porque, segundo o comandante "dois passageiros resolveram despachar a bagagem mas depois não apareceram no embarque, pelo que teriam de remover as malas do avião". Teria haviado um problema na marcação de lugares e seriamos nós os passageiros em falta?! Bom... nada a fazer... em Pequim logo se veria...
Chegámos a Londres uma hora antes do voo para Pequim. Tempo certinho para sair do avião, seguir as placas que indicavam ligações com outros voos, apanhar o autocarro interno, passar pelo controlo dos passaportes, sermos seleccionados "aleatoriamente" para o controlo de explosivos (confirma-se a cara de serial-killers), passar pelo raio-x e apanhar o metro interno. Quando chegamos à porta de embarque estavam a chamar pela nossa fila. Ok, mesmo a tempo! Mas a felicidade foi sol de pouca dura, descobrimos que os nossos lugares eram os dois do meio... da fila central. Teriamos de viajar 9 horas entalados entre dois desconhecidos, que só esperávamos não serem gordos ou malcheirosos...
De um lados estava sentada uma senhora chinesa, que pelo menos não era gorda. A sua bolsa com a mantinha e auscultadores (daquelas que as companhias aéreas deixam no lugar de cada passageiro) estava espalhada pelos nossos lugares, pois ela deve ter achado que não iria fazer falta. Nem se dignou a apanhar nada para nos sentarmos, pelo que tivémos de ir passando as coisas para o lado para nos podermos sentar. Depois de levantarmos voo, quando viu o jeito que aquilo dava, começou a mexer furiosamente nos nossos pertences e a dizer umas palavras em chinês como se lhe tivessemos roubado o equipamento. Só nos apeteceu dar-lhe um estalo mas não quisemos iniciar uma guerra porque estavámos em desvantagem numérica relativamente aos chineses a bordo do avião.
Do outro lado sentou-se um senhor, esse sim gordo, mas felizmente sossegado. O voo em si foi maravilhoso, tranquilissimo. Não fosse a "senhora" do lado, os bebés a chorar o caminho todo com dores nos ouvidos e uma excursão de franceses muito animados, teria sido perfeito, e teriamos conseguido dormir.
Aterragem em Pequim, 9h da manhã locais, 2h da manhã em Portugal e nós sem dormir depois de 13h de viagem. Saída do avião, um nevoeiro que não se via um palmo à frente, um calor... Ainda não tinhamos feito nada e já estavamos a colar. Lindos de morrer, lá fomos nós para o controlo do passaporte. Foi primeiro a S, o senhor até bem simpático, sempre a sorrir, perguntou se era a primeira vez em Pequim, estava tudo ok, mandou seguir e desejou umas boas férias. Logo a seguir o L, a simpatia continuou. O senhor perguntou se estavámos juntos, o L respondeu que sim, comentário "She's very beautiful". Depois disto, sabendo o ar com que estavamos, nada podia correr mal.
E não correu. A caminho do levantamento da bagagem, a S só dizia "é impossível que as malas tenham chegado connosco". A nossa preocupação piorou depois de vermos a confusão em Londres... O próximo voo da Europa para Pequim seria no dia seguinte, por isso já nos estavamos a preparar para voltar ao aeroporto. Dirigimo-nos então à nossa passadeira e não é que os belos dos nossos sacos já lá andavam a rodar! Não podemos descrever a alegria que sentimos. Respeito pelo sistema de gestão de bagagens.
Mochilas às costas, o L foi trocar dinheiro, a S foi ao balcão de informações do turismo. Inglês 0 – Chinês 1. Além disso, sentimos pela primeira vez a discriminação de viajar com mochila... a atenção e a simpatia foram completamente diferentes em relação aos viajantes "normais". Paciência. Lá conseguimos arrancar um mapa de Pequim e mais nada.
Apanhamos o comboio e depois o metro em direcção ao centro da cidade. Aqui tinhamos estudado a lição e sabiamos como ir para o hostel. Só não sabiamos se seria fácil orientarmo-nos no metro. Afinal foi tranquilo, não sabemos se foi desde os Jogos Olimpicos em 2008, mas toda a sinalização do metro está escrita em chinês e inglês, inclusivé as máquinas de venda de bilhetes. Claro que da primeira vez nem vimos o botão que dizia "English" e fizemos a compra dos bilhetes em chinês!
Agora fechem os olhos e imaginem um ET. Se vissem um ET no metro não eram capazes de parar de olhar, pois não? Pois, por isso damos um desconto aos chineses. Impressionante, apesar do crescente número de visitantes estrangeiros, eles não estão muito habituados à presença de pessoas diferentes. As crianças ficam embasbacadas a olhar para nós, os adultos sempre desviam o olhar quando olhamos para eles. Acabámos por nos habituar aos seus olhares. Mas se em Pequim é assim, como será no resto da China?
O nosso hostel fica numa zona de hutongs São bairros de casas tipicas de Pequim, muito juntas umas às outras, onde vive a maioria das pessoas. O sítio nem é bom, nem é mau, é chinês. As condições do hostel são básicas, mas está tudo limpo e dá para descansar em paz, que é o que precisamos neste momento. Vamos para o quarto (partilhado), onde está um chinês a dormir, apesar de já serem 11h da manhã. Tranquilidade total. Tomamos um banho e aterramos por duas horas. Depois saimos para fazer o reconhecimento da zona sob nevoeiro, humidade e calor intensos.
Estamos na zona dos lagos. Há muitos pescadores e malta a dar umas braçadas, há muitas bicicletas e motas eléctricas que não fazem barulho absolutamente nenhum e por isso só damos conta delas quando buzinam mesmo atrás de nós. Andámos 2h por ali. Vimos que existem muitas casas de banho públicas. Concluimos que são casas de banho para as pessoas que vivem por ali e que não as têm em casa. Parece-nos que há um esforço para começar a educar as pessoas, pelo menos neste capítulo.
Não existem carros do lixo, existem bicicletas do lixo. Há homens que puxam um pequeno contentor do lixo de bicicleta e vão apanhando o que encontram. As garrafas e pacotes são recicláveis e por isso valem dinheiro. Sempre que a água está prestes a acabar, aparece alguém a pedir-nos a garrafa.
Outra coisa em que reparámos foi que as pessoas que têm lojas, vivem lá. Comem, dormem e têm o seu negócio tudo no mesmo sitio. Isto é válido para apenas uma pessoa, ou para uma família numerosa, numa loja pequenina. Eles lá se arranjam. Algumas vezes não se percebe qual é o negócio. Tanto pode ser uma oficina de motas como uma loja de venda de telemóveis.
Em resumo, a nossa primeira impressão sobre a China é: a China tem cheiro. Há sítios com cheiro característico (como Angola, a Índia ou o McDonald's) e a China é um deles...
1 comentário:
Olá,
Quanto tempo vão ficar em Pequim?
Divirtam-se o mais que poderem
PP
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