estrangeiros fora da China pois é muito complicado comunicar com os
chineses. Ainda assim, hoje vamos falar da nossa visita à outra Grande
Muralha da China.
Em qualquer canto de Pequim se vendem excursões à Muralha, mas é como
nos restaurantes, há sítios onde vemos logo que não se pode confiar.
Decidimos por isso seguir numa excursão organizada pelo hostel.
Haveria formas alternativas de ir à Muralha: de transportes públicos
(o que pode ser complicado pois os autocarros não têm o destino
escrito em inglês) ou de taxi (o que pode ser uma incógnita, nunca se
sabe se o motorista nos vai levar para algum sítio esquisito). Mas já
se sabe como são as excursões, feitas para chular o turista.
Dado que a Muralha se estende ao longo de cerca de 10.000 kms, existem
3 opções de visita perto de Pequim. Optámos por aquela que, apesar de
ser um pouco mais distante, não tinha paragem para compras nem nos
obrigava a fazer 10 kms de trekking. Fomos ao troço de Mutianyu, menos
concorrido por turistas e consequentemente por vendedores.
A viagem até lá demorou 1h30 mas ninguém explicou que estava incluido
um pacote de emoções extra. O condutor do nosso autocarro devia ter 3
mãos: uma no volante, outra nas mudanças e outra na buzina. O senhor
gostava de conduzir pela faixa contrária, sempre a ultrapassar e quem
não quiser levar com um autocarro que se desvie.
Na zona a norte de Pequim, onde fica este troço da Muralha, o terreno
é acidentado, existem bastantes montanhas e vales. Ao longo da Muralha
sobe-se e desce-se constantemente, os degraus são muito ingremes e é
preciso ter cuidado para não dar nenhuma queda. Decididamente a
Muralha não foi feita para chineses de perna curta. Ao fim de poucos
minutos toda a gente estava com os bofes de fora, embora tenhamos
visto um casal de turistas nórdicos que transportavam os seus filhos
às costas com a maior das facilidades. No cimo de cada lance mais
íngreme existia um vendendor de águas frescas e chocolates que quase
sempre se ria do turista esbaforido!
Ao contrário da maioria dos troços, a Muralha aqui está bem preservada
e em 2,5 kms existem 23 torres de vigia. Conseguimos visitar 9 delas,
pois optámos pelo lado com menos torres mas mais dispares e
interessantes.
A construção, embora espantosa, não tem um factor "tchan!". É uma obra
impressionante pela sua grandeza e por todo o esforço colocado na sua
execução. Estima-se que 25% da população chinesa tenha participado na
sua construção. O Imperador que deu inicio a este empreendimento foi o
mesmo que mandou construir a Cidade Proibida. O senhor devia ter um
complexo qualquer para mandar construir coisas tão grandes!
A descida da Muralha foi feita num mini-tobogã construido
recentemente. Além do condutor do autocarro, a descida de tobogã foi
uma das partes mais divertidas do dia.
Como curiosidade, no caminho para a Muralha, já fora de Pequim, vimos
milhares de taxis de uma companhia estacionados. Parece que aquele
local serve para a troca de turno (de 24 horas!) dos motoristas. Devem
circular dezenas de milhares de taxis em Pequim todos os dias e como
não existe nenhum sítio com dimensão suficiente para acolher a troca
de turno, os taxistas são obrigados a recorrer aos espaços disponíveis
na periferia.
B&A,
L+S
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